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O Circuito Cultural Ribeira está de volta

Lembrança dos meus primeiros passos no bairro


Por Luiz Henrique Gomes

A notícia do retorno do Circuito Cultural Ribeira me despertou boas lembranças das primeiras edições desse eventoépoca em que conheci e passei a frequentar o bairro, em 2011, quando eu tinha apenas 15 anos. O circuito me apresentou a dinâmica cultural da cidade e marcou os meus primeiros passos pela busca da liberdade que tanto almejamos na adolescência, e o resultado não podia ser outro: Hoje, sou apaixonado pela Ribeira. 
Para quem não sabe, o Circuito Cultural, em suas primeiras edições, carregou a proposta de revitalização das ruas do tradicional bairro potiguar por meio de atividades culturais gratuitas durante um dia. Eram peças teatrais, músicas, dança, ateliês, palestras e oficinas em muitos espaços do bairro, impulsionando a produção artística potiguar e oferecendo um espaço fantástico. O projeto estava paralisado havia um ano, por problemas burocráticos com os patrocinadores, mas voltará em dezembro. 
Na época do seu primeiro ano, 2011, eu era calouro do Instituto Federal e não tinha ideia das expressões artísticas da cidade, por ser morador suburbano e muito caseiro. Até então, o que eu conhecia eram as bandas nacionais mais conhecidas de rock, da geração de Legião Urbana, além das norte-americanas que estouravam na época.  
Nesse contexto fui jogado, pela vontade de conhecer, nesse redemoinho de expressões que tinham moradia nas casas da Ribeira. Ali, encontrei de tudo e descobri a vida potiguar, tive consciência da efervescência cultural que se derramava naqueles prédios antigos e abandonados. O que se via era a tradução dos anseios do natalense, misturado com o cotidiano da própria cidade. 
Conheci músicos, grupos teatrais, pintores. Todos eles recebiam influências de todos os lados e transformavam tudo à imagem do estado: a música de Natal era semelhante ao indie norte-americano, mas carregava muito do litoral; os músicos que vinham do interior tinham influência do heavy metal, e isso era somado à paisagem sertaneja. Também tinham os mais próximos ao jazz, à bossa nova e ao samba, mas que não abandonavam, nas suas obras, o beco da lama da Cidade Alta e o Buraco da Catita, da própria Ribeira. 
Fui me inserindo na dinâmica da cidade, criando interesse no que estava acontecendo por aqui e querendo conhecer cada vez mais a produção cultural. Não foi diferente com os amigos que embarcaram comigo nas primeiras experiências pelas ruas da Ribeira. Alguns, com vocação musical, criaram bandas e, hoje, quatro anos depois, fazem relativo sucesso entre o público alternativo que frequenta o bairro.  
Visitas à Casa da Ribeira, Dosol, Armazém Hall, Ateliê Flávio Freitas, Buraco da Catita e ao largo do Teatro Alberto Maranhão tornaram-se frequentes nas nossas vidas, não só em domingos de circuito cultural. Hoje, com 19 anos, ainda muito jovem, já tenho uma boa bagagem desses lugares, e muito do que sou é das experiências vividas nesses quatro anos de Ribeira. Lá, quebrei muitos dos meus preconceitos, troquei ideias com pessoas que nunca reencontrarei e conheci personagens que só são possíveis graças a alma boêmia do bairro. 
Por fim, me apaixonei, e sou apaixonado, por esse cenário, único na cidade. Não há outro lugar nessas terras potiguares que seja possível encontrar tanta diversidade e história. Apesar de todo o descaso da prefeitura, a Ribeira nunca será abandonada, porque há uma parcela significativa de Natal que cresceu à sua sombra. São diversos coletivos independentes, produtores culturais e militantes que garantem que ela continuará respirando cultura por muito tempo. 
Fico extremamente feliz com a volta do Circuito Cultural Ribeira. Não vejo a hora de ver todas aquelas ruas preenchidas de arte e cultura, durante um domingo inteiro. Apesar de estar no auge da minha participação na dinâmica da cidade, a Ribeira sempre nos oferece algo novo e a integração gerada por esse evento é única. 
Vida longa a Ribeira! Vida longa ao Circuito Cultural! 

Circuito Cultural Ribeira em 2011, Rua Chile. Fonte: Centro Cultural Dosol





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