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A Democracia não pode esperar

Por Lais Di Lauro
Não existe neutralidade. Não existe isenção ideológica. Não há como fugir ou se esconder. Explosões de fanatismo partidário, valorativo e ideológico, extrapolam a discussão verbal, perpassando por vários estratos sociais. O alcance é expandido a cada segundo.
A política está em todo lugar. É um jogo de convencimento que utiliza da argumentação como ferramenta de persuasão. Sempre há dois lados, duas verdades sendo defendidas e debatidas ferrenhamente. Não há politicagem objetiva e descompromissada. Para existir política é necessária a divergência de interesses.
O atual momento político no Brasil é de instabilidade e tensão. As ruas tornaram-se palco para vozes de milhares de manifestantes que clamam pela democracia. Centenas de pessoas, dos mais variados extratos da sociedade, romperam estruturas ideológicas e, juntos, foram reivindicar seus direitos, assegurados na constituição de 1988 e fundamentos na soberania, na cidadania, na dignidade da pessoa humana, nos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e no pluralismo político, como consta no Art. 1º, e que garante a igualdade perante a lei sem distinção de qualquer natureza, conforme o Art. 5º.
Uma reforma política foi idealizada. Sonhada e, muito provavelmente, inalcançável.

No último domingo (17 de Abril) durante a votação pela câmara dos deputados do Impeachment da atual presidente do país, Dilma Rousseff, representantes escolhidos democraticamente pela população votaram contra ou a favor ao prosseguimento do processo e decepcionaram a nação. Um momento crucial para o rumo futuro do país virou um espetáculo televisionado de forma escancaradamente manipulativa.
A conquista de dezenas de gerações está se desintegrado em nossa frente, se diluindo sobre nossos olhos. Não há tempo pra partidarismo, fanatismo e radicalismo. O momento é de luta e resistência. Não podemos deixar a democracia morrer. Outra vez.


Esquerda e direita assumiram posturas extremas, em alguns casos até utilizando-se do nome de Deus, da religião, da família, e de figuras líderes de movimentos repressivos – como o diretor do Doi Codi, que foi citado por um dos deputados na hora da escolha do voto. Voto este que revira o caldeirão político brasileiro, onde não há mais respeito, dignidade, ética, boas condutas e intenções louváveis.
No atual estado do país, não é possível ver com nitidez ou ter um discernimento através da névoa do cenário político. A confusão alastrou-se em meio a uma população predominante alienada pela possibilidade de uma suposta “reforma política” que, na verdade, não passa de um desejo utópico – se realizado por vias fora da legalidade.
Até o momento, a discussão acerca a legalidade do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff não foi concluída, embora o processo esteja em andamento. A grande mídia tem realizado uma cobertura parcial dos fatos, e, em nenhum momento, houve uma apuração maior das informações a fim de divulgar a população, que sofrerá diretamente as consequências das escolhas políticas sendo tomadas no momento. Discussões entre especialistas em direito também não ajudam a esclarecer a situação; resta-nos apelar aos nossos instintos e ir em busca do que acreditarmos ser o melhor a nação brasileira.
A democracia, que por tanto tempo foi sufocada com lençóis de sangue, está, novamente, sendo ameaçadas por visionários dentro de um sistema corrupto e instável.
O tão almejado equilíbrio nacional no atual cenário está cada vez mais distante de ser conquistado. A sociedade está caminhando a passos largos em direção contrária à democracia.

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