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Eleições 2016: dos santinhos aos funks remixados

Por Luana Aladim          


Desde agosto a poluição aumentou. Panfletos, adesivos, carros de som: tudo para promover os candidatos à Prefeitura e à Câmara Municipal. Em meio ao conturbado período político brasileiro, abraços e promessas se juntam aos repetitivos jingles: parecemos estar em período natalino, quando ateus se comportam da melhor forma possível para celebrar o nascimento do menino Deus.
            Os cidadãos comuns, por assim dizer, são bombardeados antes mesmo de saírem de casa: logo pela manhã é possível escutar um candidato evangélico com seu carro e som pelas ruas da cidade com mixagens de umfunk “pesado”. No percurso para o trabalho, o cidadão precisa ultrapassar o mar de panfletos e santinhos espalhados pelo chão – papéis estes abandonados pela própria população nas vias públicas. Além disso, não faltam pessoas sorridentes para distribuir propostas milagrosas e muitas vezes hipócritas.
            Agentes da esquerda se confrontam com agentes da direita, muitas vezes para criticar, e não para debater. A política, que deveria servir para o exercício da cidadania, acaba por se instaurar como um campo minado: mantenha-se afastado. É então que se chega ao imaginário popular, em que não se discute política, religião nem futebol. Até outubro, a poluição sonora e visual se instaura pelas cidades. Até janeiro, as reclamações urbanas permanecerão as mesmas. Até março, boa parte da população vai dizer que o Brasil não tem jeito. Até 2020: poluição sonora, visual e moral.

Charge: Bruno Galvão

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