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Resenhando: SAGA 2.0 2016

Por Clercio Rodrigues

O avanço da tecnologia nas últimas décadas e a popularização da internet mundo afora culminou numa série de fenômenos sociais. Um deles foi o surgimento da cultura Geek. Esta comunidade é formada por pessoas apaixonadas por interesses variados e complexos, indo desde tecnologia, eletrônica e jogos, até livros, quadrinhos, filmes, animes e outros. Hoje em dia, é comum conhecer alguém que se identifique com essas características. Afinal, quem nunca brigou com os amigos na hora de escolher qual Power Ranger seria?

Um indicativo do crescimento do público Geek, é a relevância gradativa que feiras e festivais relacionadas ao tema alcançam. Com mais de 10 anos de história, o SAGA acontece anualmente em Natal e reúne os Geeks de toda a capital potiguar. Além de trazer novidades aos interessados, o evento é uma forma de continuar investindo em uma comunidade local que cresce cada vez mais e uma alternativa de proporcionar lazer para toda a família.

Exemplo disso foi a edição mais recente do evento, intitulada SAGA 2.0, que aconteceu no último final de semana (15 e 16 de outubro). Ubiraci Rodrigues, 37, foi com os dois filhos à Arena das Dunas para conhecer a feira. “É uma forma de reviver coisas que fizeram parte da minha vida e entender quais tendências meus filhos acompanham hoje em dia, como o fenômeno dos YouTubers, por exemplo.” - disse o Professor de Educação Física.

Além dos tais YouTubers, o SAGA 2.0 recebeu atrações como dubladores, cantores e até mesmo um artista internacional. Um palco externo foi montado e as atrações se revezaram para entreter o público durante os dois dias de festa. “Eu vim ao evento para ver as atrações e porque tem muitas coisas que gosto, como games. Consequentemente, posso interagir com pessoas que curtam as mesmas coisas que eu.” - explicou o estudante Gabriel Vale, 17.

O evento também contou com espaços temáticos para acomodar outros interesses, como quadrinhos, tecnologia e cultura japonesa. Entre os mais expressivos, a área destinada aos games chamou a atenção pela grande quantidade de campeonatos amadores e de E-Sports, como o famoso League of Legends. Para Bruno Michelson, 17, que esteve nos dois dias do SAGA 2.0, “esses eventos são oportunidades pra galera não só se divertir e descontrair, mas talvez se destacar e descobrir uma nova profissão, como jogador profissional por exemplo.”

Outra atividade que chamou a atenção de quem visitou a feira, foi a prática do cosplay. Várias pessoas escolheram o final de semana para encarnar alguns dos seus personagens favoritos e marcar presença no evento, conhecendo outros praticantes e tirando toneladas de fotos com o público. “Eu comecei a fazer cosplay em 2013 e desde lá fiz muitas amizades. Além de não interferir na minha vida pessoal, posso relaxar tirando um dia para ser e homenagear algum personagem que gosto. - disse João Victor, 21, que durante o evento, foi Crash Bandicoot. Maria Emilha, 14, também foi fantasiada e desfilou no palco principal do evento no papel de uma famosa personagem de anime. Para ela o verdadeiro desafio de fazer cosplay, além de arrumar tudo, é escolher um personagem. Normalmente, eu me guio pela personalidade, prefiro aquelas com qual me identifico mais”.

No geral, a edição deste ano do SAGA dividiu opiniões. Para Filipe Brizolara, a feira foi uma oportunidade de mostrar o game independente que ele e uma equipe de amigos está desenvolvendo. “Considerando todos os desafios que encaramos na produção do game, como o baixo capital para investir e a competitividade do mercado atualmente, ter esse espaço para mostrar nosso trabalho durante o evento é muito bacana.” - disse o estudante universitário.

Já no caso de Igor Luiz, a feira não foi tão agradável assim. O jovem de 17 anos tinha comprado ingressos para os dois dias do evento, foi ao SAGA 2.0 em seu primeiro dia, deixou a feira frustrado, e acabou desistindo de retornar no domingo. Eu vim para a feira principalmente para comprar mangás para minha coleção. Normalmente, em todos os eventos deste tipo existem espaços que vendam o produto, mas não foi o caso aqui.” - explicou Igor.

Como o próprio nome da feira sugere, a proposta fundamental do SAGA 2.0 foi ser uma versão melhorada do que foi visto em relação aos anos anteriores. Para isso, não podiam faltar novidades. A principal delas é que desta vez o evento também serviu de sala de aula para uma série de palestras do SENAC. A instituição organizou seminários sobre vários temas, principalmente sobre fotografia, audiovisual e design gráfico, e distribuiu certificados para os participantes. A inclusão de atividades como esta são muito importantes para ir além da proposta básica da feira, e com certeza, merecem mais espaço nas próximas edições do evento.


 Imagens: Assessoria SAGA 2.0 

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