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Gatos não precisam de ENEM para entrar na UFRN

A grande quantidade de animais se destaca em meio a rotina acadêmica 

Por Beatriz Nascimento, Maria Beatriz, Ricarla Nobre e Sthefanny Ariane
Gatos se alimentando em grupo no Setor de Aula I

A superpopulação de gatos na Universidade Federal do Rio Grande do Norte tem adquirido cada vez mais visibilidade dentro e fora da comunidade acadêmica. O número de felinos circulando pelos departamentos e setores traz à tona questionamentos sobre o modo como sobrevivem, expostos a uma infraestrutura que não foi pensada para acomodar tal quantidade.

Acredita-se que muitos dos animais são abandonados no local e acabam se reproduzindo demasiadamente. Submetidos a condições precárias, não possuem nenhum tipo de cuidados higiênicos – tornando-se possíveis portadores e transmissores de doenças.

Os donos de estabelecimentos comerciais próximos à praça de alimentação do setor I afirmam que as visitas dos bichinhos têm se tornado um problema quando se movem por entre as mesas à procura de comida. Há relatos de que sobem nas bancadas, causando incômodo aos clientes. Gil, que é empresária da cantina do setor, afirmou que algumas pessoas os colocam perto de seus pratos para alimentá-los. “Eles entram nas cantinas e causam desconforto, e eles são sujos, não são vacinados, não tem nenhum tratamento. Se trata de um ambiente em que há manipulação de alimentos, e realmente incomoda. Já houveram clientes que deixaram de vir aqui na hora do almoço por causa dos gatos”, relatou sobre o prejuízo acarretado pela presença dos felinos.


Placa de conscientização no DeCom

É possível percorrer o campus e notar a presença de placas com avisos coibindo a alimentação dos gatos. A Diretoria do Meio Ambiente da Superintendência de Infraestrutura é a responsável pela colocação das placas, e justifica que, após a iniciativa, houve mudança na seleção dos alimentos oferecidos aos animais; antes eram restos de comidas variados, diferentemente da atual alimentação sistematizada, por parte dos ativistas, que conta com uma dieta mais adequada nutritivamente, composta de ração felina.

Um outro benefício realizado pela implantação das placas foi uma conscientização sobre a negligência. “O que observamos é que após essa atitude, o número de maus tratos, descaso e abandono diminuíram”, afirmou Bruno Macedo, biólogo da Diretoria de Meio Ambiente. “As pessoas estão mais atentas e já fizeram denúncias, e quando recebemos relatos desse tipo, os encaminhamos para o órgão municipal responsável, que, nesse caso, é a polícia ambiental ou até mesmo o centro de controle de zoonoses”.

A pena para quem pratica qualquer tipo de crueldade com animais é detenção de três meses a um ano e multa, que pode ser aumentada de um sexto a um terço, se ocorrer morte do animal. A Universidade não pode adotar os gatos, mas o setor do meio ambiente, que faz parte da instituição, tenta evitar o abandono e os maus tratos, ficando sempre atento a denúncias - que podem ser feitas por e-mail disponível na editoria do site da UFRN.

Em contrapartida, a maioria dos estudantes e funcionários não veem problema em conviver com os animais em questão, pois acreditam que eles são inofensivos e não tem responsabilidade alguma pela situação em que se encontram. Algumas pessoas os tratam como se fossem seus, dando nomes e os alimentando. A estudante Márcia, 30 anos, de biblioteconomia, afirma alimentar os gatos que encontra pelo setor I. “Faz uns quatro meses que dou comida para eles” , disse, “eu trago comida porque gosto de animais. E os bichinhos não deveriam ser largados assim, sem comida. E acho que mais pessoas deveriam alimentá-los”.

Estudante Marcia alimentando os felinos
Para Débora, graduanda de Geologia, faz parte da rotina alimentar os gatos ao percorrer o campus. “Eu via vários gatos magrinhos, principalmente os bebês, e eu trouxe comida, sempre que os encontro dou um jeito de alimentá-los”, conta. A estudante construiu uma relação de carinho intensa pelos bichinhos e acredita que seria necessário uma campanha para castração e incentivo, através de inovação, como tecnologia de comedouros espalhados pelo campus, em prol de melhorar o bem-estar deles.

O mutirão mais recente foi realizado no ano de 2014, para tentar controlar a superpopulação de gatos na Universidade, devido à gravidade da situação. Nesse período, diversos profissionais trabalharam em conjunto, como funcionários de ONGs e da zoonose, e voluntários, todos eles com um único objetivo: cuidar dos gatos abandonados. No começo, a assistência foi aplicada em forma de campanha, por isso houve a colocação das placas sobre a alimentação dos felinos e a proibição de alimentá-los.

Quando questionado sobre a pretensão em tomar alguma iniciativa para melhorar a situação dos bichinhos, afirmou que um dos meios mais eficazes para isso é a adoção. Foi argumentado que o tratamento que recebem na rua não se assemelha ao doméstico, ressaltando a superioridade do ambiente de convívio do segundo caso.

Desde 2014, nenhuma outra campanha foi realizada, mas Bruno alega que a intenção de repetirem a mobilização existe, só faltam recursos. Na ocasião só teria dado certo por haver uma junção de vontades - tanto é que a professora do Centro de Biociências, Hélderes Peregrino, criou um projeto de extensão com bolsistas e auxílio. Isso resultou numa grande melhoria às condições de vida dos felinos.

Antes da realização dessa campanha, era estimado um número de 700 gatos na Universidade. Hoje, nota-se um decréscimo ainda não calculado. Para que ocorra uma nova diligência, é preciso a colaboração de ONGs, devido ao seu amplo poder de alcance.


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