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Hortas Urbanas: o cultivo sustentável e saudável de alimentos dentro das cidades

Curso de Hortas Urbanas ganha espaço no Mercado Cultural de Petrópolis e gera interesse e entusiamo nos simpatizantes pela causa.

Por Jéssica Cavalcanti e Vitória Laís 

O crescimento da urbanização, os aumentos drásticos dos preços alimentícios, a crise na saúde da população e do ecossistema - ambos cada vez mais debilitados -, e o consequente fato de que estamos aprendendo a nos preocupar com a antecedência do que ingerimos são pontos cruciais para o crescente interesse das pessoas pela Horta Urbana. Não há nada como colher a salada do almoço no quintal da nossa casa, ou como ter a agradável vista de uma plantação, da nossa própria janela. Poder cultivar um alimento saudável e confiável.

É exatamente isso que o escritório GM Arquitetura, Paisagismo e Bioconstrução, juntamente com a Associação dos Permissionários do Mercado Cultural de Petrópolis, vem proporcionando aos curiosos participantes dos cursos de Horta Urbana, que têm acontecido todo último sábado do mês - com exceção desse mês de junho, devido ao São João - no próprio Mercado de Petrópolis. Já se foram três turmas, com cerca de 20 alunos em cada.

Um dos organizadores e ministrante do curso, formado em Arquitetura e Urbanismo e Técnico em Agroecologia, Gabriel Monte, explica que a horta urbana é qualquer tipo de produção agrícola dentro de uma cidade, podendo ser chamada também de "quintal (ou varanda) produtivo". Uma prática acessível e econômica, na qual só exige semente, um pouco de terra e espaço, luz, vontade e paciência. O arquiteto lembra que alternativas não faltam, como as lâmpadas UV, na falta do sol; plantações hidropônicas (debaixo d'água); e os "pallets", que servem de opção para quem dispõe de pouco espaço. É, inclusive, essa estrutura utilizada no Mercado.

Hortas em pallets, cultivadas no Mercado Cultural de Petrópolis.
A iniciativa é muito interessante. O curso aborda desde a sensibilização, onde as pessoas compartilham a importância de ter uma horta, à contextualização histórica e o cuidado: plantio, aguação, adubação e manejo de pragas. Mas Gabriel faz questão de lembrar que as verdadeiras pragas somos nós, os humanos, pois a planta por si só é geneticamente perfeita. "A praga nada mais é do que um descontrole da natureza", conclui. Ele conta também da existência de um grupo, intitulado "galera da horta", onde os alunos, após o término do curso, podem manter contato e continuar compartilhando experiências. Os que se envolvem são geralmente aqueles mais preocupados com a manutenção da horta da qual aprenderam a cuidar e se comprometem voluntariamente a permanecer zelando por ela. "É legal, porque cria a relação entre as pessoas com a horta. Não é simplesmente eu faço o curso e rebolo as plantas no mato. E é exatamente isso que cria o sentimento de cuidado e consciência ambiental", aponta o ministrante.

Consciência não tem idade 

Aqui no Brasil, a prática ainda não se tornou tão popular quanto em outros países, como Chile, Suíça e Estados Unidos. Mas algumas cidades, como Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte, já vêm trabalhando em hortas urbanas há um certo tempo. Em Natal, o projeto ainda tem pouca adesão, porém, tem ganhado cada vez mais espaço.

Esse é um processo que consiste em reeducação de hábitos. E, ainda mais fácil do que transformar a mente de um adulto, é ensinar as crianças a verem esse tipo de prática com naturalidade desde cedo. Na capital potiguar, algumas escolas municipais já abraçaram a iniciativa. Segundo a Tribuna do Norte, em 2014, já existiam 12 instituições que possuíam hortas, as quais os próprios alunos e funcionários cultivavam.

Semana passada, no dia 08 de junho, a Prefeitura Municipal do Natal, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SME) e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), promoveu o projeto Horta nas Escolas, aproveitando a Semana do Meio Ambiente. Isso é um ponto extremamente positivo no desenvolvimento das crianças, posto que é uma maneira muito eficaz de educá-las desde pequenas a cuidar do planeta em que vivemos e da própria saúde. Gabriel reitera que o contato com os microrganismos presentes na natureza aumenta a imunidade infantil.

Por fim, a horta urbana só tem benefícios a trazer para quem escolher abraçar essa causa, e oportunidades de aprendizado é o que não faltam. O curso terá a sua quarta edição no próximo dia 29 de julho. A inscrição custa R$30,00 e pode ser realizada no Mercado de Petrópolis (Av. Hermes da Fonseca), nos seguintes locais: Atelier e Galeria Cordel de Cor, com Rejane; e no Sebo Cata Livros, com Vera. Para mais informações, Gabriel Monte disponibiliza seu contato, através do whatsapp (84) 9 9926-7589.

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