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Circulares e Expressos

Nova medida da STTU divide opiniões no Campus da UFRN

Por Anna Vale, Germano Freitas e Hilda Vasconcelos 

Mudanças afetaram, principalmente, alunos da ECT / Foto: Adriano Abreu (via Tribuna do Norte)
Alvo de críticas no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte desde sua implementação no último dia de julho (31), a modificação da linha de ônibus destinada exclusivamente ao transporte dentro do campus universitário (linha 588 - Circular/Campus) tem dividido opiniões daqueles que dependem do serviço.
Originalmente, o transporte dentro do campus contava com apenas cinco linhas diretas (Via Direta-Reitoria, com paradas ao longo do percurso) e três linhas inversas, que faziam o mesmo percurso ao contrário. Com as modificações, quatro ônibus da frota são destinados aos chamados Circulares Expressos: duas linhas, com dois veículos cada.
O projeto inicial dos Circulares Expressos previa seu funcionamento de segunda à sexta, partindo do Via Direta, sem embarques e desembarques ao longo do caminho, com parada apenas em seus locais designados – Reitoria e Escola de Ciência e Tecnologia (ECT); esse trajeto foi atualizado para incluir paradas no Restaurante Universitário em horários específicos. O Expresso Reitoria roda a partir das 6h30 às 20h30, já o Expresso C&T sai dez minutos mais cedo, encerrando seu trajeto duas horas mais tarde.

Segundo a Secretaria de Mobilidade Urbana (STTU), a mudança se deu após um levantamento realizado em trabalhos de alunos de Engenharia Civil. Rubens Ramos, professor do departamento de Engenharia Civil da universidade e suposto idealizador do projeto, aponta a Reitoria e a Escola de Ciência e Tecnologia (ECT) como principais destinos dos estudantes: “Mais da metade dos alunos se destinam a um destes locais e eles acabam perdendo tempo em paradas intermediárias para descer uma ou duas pessoas”.
O objetivo do novo sistema é de melhorar a capacidade de transporte dentro do campus, sem aumentar a quantidade de veículos da frota. Clodoaldo Cabral, secretário adjunto de transportes da STTU, informa que a quantidade de viagens da linha irá aumentar em 60% com o projeto colocado em prática.
As modificações dividiram opiniões. Os motoristas dos circulares, por exemplo, tiveram suas condições de trabalho alteradas, não mais se adequando às suas necessidades. Um motorista, que não deseja ser identificado, relata que os intervalos são curtos e tendem a causar atrasos adicionais, com idas ao banheiro ocorrendo apenas na ECT – onde há o risco de deixar o ônibus ligado e aberto, causando a impaciência dos alunos – ou no Via Direta, onde o risco é de “perder a corrida”. Além disso, para alguns há choque nos horários de almoço e jantar (para os motoristas do turno da manhã e tarde, respectivamente) e de funcionamento do Restaurante Universitário.
O motorista aponta a importância do apoio dos estudantes nessa questão, uma vez que são eles quem reivindicam por melhorias no sistema de transporte no campus.


Para discutir a questão dos ônibus, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) realizou uma assembléia geral no dia 4 de agosto, além de apoiar plenárias entre estudantes de diversos setores e departamentos da universidade. Uma convocação aos órgãos de representatividade de cada curso da universidade foi feita para o Conselho de Entidades de Base (CEB), cuja reunião estava marcada para a tarde de segunda (21), e que teve como um dos objetivos “discutir as medidas tomadas pela STTU com relação ao ônibus Circular”.
Na manhã da última sexta-feira (18), independente do diretório, houve o chamado “Ato pela melhoria do Circular UFRN”, na parada do Via Direta, pelo “estabelecimento da qualidade de transporte para todos os estudantes, bem como a melhoria na qualidade de trabalho dos motoristas”. O texto de apresentação da manifestação alega descaso por parte da Secretaria de Mobilidade Urbana com os com os estudantes, e afastamento de um motorista que se mostrou descontente com o novo sistema.
Baseado em popular grupo do Facebook, o Spotted Circular foi criado para compartilhamento de opiniões sobre a medida da STTU; o ato contra o novo sistema foi divulgado no grupo / Foto: Reprodução
A comunidade acadêmica tem se posicionado de maneiras diversas às mudanças implementadas pela STTU, através das mídias sociais e plenárias realizadas desde o início de agosto: há quem aprove as medidas totalmente, e quem deseja ajustes para seu funcionamento pleno. Apesar do objetivo da medida explicitar que o tamanho da frota deve continuar o mesmo, a superlotação dos circulares diretos e inversos aponta que o remanejamento de metade dos ônibus para as linhas expressas prejudicou seu funcionamento; além disso, os expressos nem sempre têm sua capacidade aproveitada, chegando a rodar sem passageiros em alguns horários. Há ainda a opção de ter os expressos saindo do Restaurante Universitário, ao invés do Via Direta – passando por suas paradas designadas e de volta ao “terminal”.
O novo sistema ainda está em fase de testes, logo, não deve ser julgado como algo permanente, e sim ser alvo de críticas construtivas para que se desenvolva um serviço melhor, que beneficie seus usuários e facilite a locomoção dentro do campus.



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