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Luta do século vs boxe potiguar

O contraste entre o milionário evento mundial e o cenário brasileiro do esporte


Por Anthony Fernandes, Luiz Gustavo Ribeiro e Vinícius Veloso


Os dois lutadores: Conor Mcgregor e Floyd Mayweather, respectivamente. (Foto: Reprodução)

A luta de boxe mais esperada do ano está prestes a acontecer no próximo sábado (26). O lendário pugilista Floyd Mayweather, enfrentará o astro falastrão do UFC, Conor McGregor, em Las Vegas. Em meio a tantas expectativas, a “nobre arte” também tem boa representação no Rio Grande do Norte, porém ainda enfrenta muitas dificuldades para manter seus atletas.
Adenúbio Melo, ex boxeador, atualmente segue
a carreira política no estado do Rio Grande do Norte (Foto:
reprodução Twitter). 

Adenúbio “Bill” Melo foi um dos grandes responsáveis pela popularização do boxe no estado potiguar. Após sofrer um acidente de moto, o ex-lutador de full contact - arte marcial originária dos EUA - migrou para o boxe, e nesse meio, encontrou incentivos para continuar praticando artes marciais, já que não precisava aplicar chutes, então se recuperou e dedicou-se à modalidade. Posteriormente, tornou-se campeão mundial de boxe, com um cartel repleto de vitórias. 
 Porém, desde a aposentadoria de Adenúbio, o boxe do Rio Grande do Norte não tem mais o mesmo glamour e visibilidade. Uma consequência não só do cenário do potiguar, mas um problema em todo Brasil. “Mesmo o boxe sendo um esporte olímpico, existe uma dificuldade muito grande em relação ao poder público, e a federação daqui tem feito alguns eventos, mas para se fazer eventos tem que ter recursos, e não há esses recursos suficientes para se fazer bons e grandes eventos”. Afirma o Mestre Hélio Fidélis, 42, da Academia Sport Boxe e também treinador no Corinthians e no Guarani, dois clubes tradicionais paulistas. 

Recentemente, foi aprovada a lei de incentivo ao esporte no estado de São Paulo. Com esse decreto, as academias serão patenteadas por empresas privadas - uma das primeiras a aderir terá acordo com a Paris Filmes - e somando ao apoio dos governos, o boxe terá melhor estrutura. Hélio acredita na lei regulamentada pelo decreto 55.636 de 26/03/2010: “Acredito que a prefeitura de São Paulo, juntamente com o Governo do Estado, possam dar mais incentivos fiscais às empresas privadas, para que elas possam estar patrocinando e tendo dedução do ICMS. Com isso haverá criação de academias, patrocínio em eventos e campeonatos voltados para o boxe. E com todo esse aparato, nos próximos cinco anos, o Brasil vai voltar a ter vários campeões. Pois, nós tivemos grandes vencedores como Popó, Maguila, Sertão, e hoje temos o Yamaguchi, o próprio Edelson Silva que é um grande ícone no boxe, mas tem muitos que ainda precisam despontar e, para isso, deve ter apoio dos órgãos públicos. Porque o trabalho de um campeão não se faz do dia para a noite, é todo um trabalho de base, então não é só a criança que vem pra escola aprender a boxear, não adianta nada ela vir, se na sua casa não tem um prato de comida pra comer. Se quando ele voltar pra comunidade em que vive, ele terá que ir para ‘biqueira’ vender drogas, ou se o pai é traficante, a mãe é prostituta, ou só não tem condições financeiras para que essa pessoa tenha uma estabilidade emocional, para acreditar no sonho, que é através da luta, conseguir ser alguém na vida e proporcionar uma qualidade que os pais não tiveram condições.” Relata o Mestre. Hélio começou muito novo no boxe. “Quem me introduziu no boxe foi um primo meu, que era meu professor. E no final das contas, eu acabei terminando sendo professor dele”, conta. Ele já realizou lutas em campeonatos nacionais e internacionais, e agradece sempre a Deus pelo fato do esporte ter dado um norte em sua vida. Além das aulas ministradas na academia, o Mestre, dá camping (aulas particulares).   Segundo Hélio, Layon Costa, 15, é uma das grandes promessas do boxe potiguar. Aluno do Mestre, ele iniciou a sua trajetória de boxeador aos 12 anos. “Eu treinava lá na Zona Norte com o professor Jean, ele fechou uma parceria com o Mestre. Aí quando teve a graduação, o professor Hélio me chamou para ir treinar aqui na Sport Boxe”, conta ele. O jovem atleta está invicto em seu cartel de lutas, inclusive já disputou campeonatos amadores e profissionais, e recentemente foi campeão da Copa Natal.

 
Mestre Hélio Fidélis e seu aluno Layon, que carrega no ombro
o cinturão de campeão da Copa Natal. (Foto: Luiz Gustavo)
Quanto a luta de sábado, Hélio prefere não arriscar o vencedor: “O Floyd Mayweather tem todas as condições possíveis de ganhar, só que como a gente fala, depois que entra a mão, você pode ser o campeão ou, na mesma hora, o azarão pode se tornar o campeão”. Diz também que o clima de “luta do ano” são para os leigos, e relembra outro embate histórico do boxe: “É uma luta que vou ver, mas não com tanto entusiasmo como se fosse o Floyd contra o Manny Pacquiao [adversário do boxeador há dois anos atrás]”. A luta “Floyd Mayweather Jr vs Conor McGregor” acontecerá na T-Mobile Arena em Las Vegas, nos Estados Unidos. Diferente do cenário do boxe brasileiro em geral, o combate entre os dois astros é cercados de montantes milionários e o pay-per-view é um dos grandes responsáveis por todo esse dinheiro envolvido, já que para os americanos assistirem em alta definição, terão que desembolsar US$ 99, o equivalente a R$ 310, sem contar com as vendas ao redor do mundo inteiro. O card principal começa às 22h (horário de Brasília) e no Brasil tem transmissão exclusiva do canal Combate.

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