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Motores do Desenvolvimento no Rio Grande do Norte em três atos [ATO II]

Por Augusto Ranier e Yuri Gomes

ATO II: O ASFALTO 

Paralelamente ao evento, um grupo de militantes de diversos movimentos sociais e sindicatos realizou uma pequena manifestação em frente ao hotel no qual acontecia o seminário. Os manifestantes protestavam contra as participações de Henrique Meirelles e Flávio Rocha no seminário. As Reformas da Previdência (arquivada no fim de fevereiro em decorrência da intervenção federal no Rio de Janeiro), a Trabalhista e os cortes de gastos foram os principais pontos denunciados pelos manifestantes.

Militantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e CUT (Central Única dos Trabalhadores) gesticulam a letra "L" em alusão ao ex-Presidente Lula

“Eles são os que falam pela privatização, que falaram pela reforma trabalhista; esse ponto da reforma trabalhista é o que a gente mais vem tocando aqui”, disse Kell Medeiros, militante do Levante Popular da Juventude. Para a manifestante, o Ministro Henrique Meirelles e o empresário Flávio Rocha são representantes de um movimento o qual ela julga golpista. Ressaltou que a intenção da manifestação era mostrar a presença da classe trabalhadora: “É pra dizer que a classe trabalhadora vai continuar na luta contra as reformas que estão pra vir”. De acordo com seu pensamento, a atual gestão apenas serve aos anseios dos empresários. “A reforma trabalhista, que eles pautaram, fala pela vida deles, pelos interesses empresariais deles. E tudo isso não diz respeito à nossa vida”, disse.

A militante fez um prognóstico da eleição que está por vir: “as eleições de 2018 vão ter um caráter muito forte de luta de classes muito grande’’. Para ela, grupos serão definidos no país: haverá aqueles que defenderão a agenda do atual governo e aqueles que estarão ao lado da classe trabalhadora. “O golpe com todas essas reformas que vem passando no Congresso Nacional e do outro lado, a gente defendendo o nome de um candidato que o povo quer, o nome do ex-presidente Lula”.

Irailson Nunes, Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Natal e Região, sob o sol escaldante de Natal, vestido de vermelho, segurava faixa com mensagens críticas aos dois convidados do evento. Ao ser perguntado sobre nomes alternativos para a esquerda além do de Lula, foi enfático ao dizer que não há outros nomes além da candidatura do ex-presidente. “Continuamos juntos aos movimentos, reafirmando que Lula será sim nosso candidato. Não aceitamos esse julgamento que se teve, que não foi um julgamento jurídico, foi um julgamento político”, afirmou. 

Em seguida, apontou a dificuldade da “oposição golpista”, segundo ele, em achar um candidato: “uma hora dizem que é Luciano Huck, dizem que é Alckmin, vem o Flávio Rocha; Henrique Meirelles se apresenta como candidato”.

Manifestantes seguram faixas criticando os dois palestrantes do evento
Retornando à sua crítica sobre a condenação do líder do PT, desafia os grupos políticos a vencerem o Partido dos Trabalhadores nas urnas de forma democrática. “Que consigam montar um grupo de oposição, um grupo para disputar democraticamente nas urnas. Temos nosso candidato e certamente a esquerda saberá conduzir muito bem esse processo”, pontuou.

“Está totalmente equivocada, só se fala em ajuste fiscal e corte de gastos”, opinou Nunes acerca da atual política econômica do Ministro Meirelles. Afirma que os caminhos para a recuperação econômica passam pela “discussão de investimentos em áreas cruciais”. E concluiu: “da forma que está, discutindo cortes de gasto e acabando com serviço social, não é a saída”.

Para a professora Eliane Bandeira, Presidente da Central Única dos Trabalhadores do RN, os trabalhadores brasileiros, no geral, hoje, entendem o impeachment sofrido em 2016 pela então presidente Dilma Rousseff como um golpe. “A classe trabalhadora no geral já compreendeu que quem tá sendo penalizado e atacado é a classe trabalhadora e o país, com a venda das nossas riquezas”. Ao falar isso, ela se refere às reformas trabalhista, da previdência e à nova lei de partilha das reservas de petróleo do Pré-Sal (lei que acaba com a participação mínima de 30% da Petrobrás nos consórcios do Pré-Sal e com o monopólio obrigatório da estatal na exploração dos campos).

Questionada sobre o fechamento da avenida que dá acesso ao Holliday Inn, Eliane falou que o ato causou transtornos aos participantes do evento, pois estes tiveram que estacionar seus veículos distante do hotel e caminhar até o local. Assim, segundo ela: “só assim eles (os empresários) também vêem o que passa a classe trabalhadora no seu dia-a-dia: o sol que enfrenta para chegar nos locais de trabalho, o dia cansativo”.

Uma parcela dos manifestantes não quis pronunciar-se individualmente, mas levantou as mesmas bandeiras: a defesa da candidatura do ex-presidente Lula e a oposição à agenda de reformas do governo Temer. Para eles, nunca houve tanta concretude e confiança numa candidatura do principal líder petista, mesmo após a confirmação de sua condenação em segunda instância. “A posição da CUT e a do MST é a do Partido dos Trabalhadores, é a do presidente Lula”, falou um manifestante que não quis se identificar.

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