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Anticoncepcionais e seus efeitos na saúde feminina

Imagem: O Globo 

Por Renata Duarte

Desde a sua criação em 1960, a pílula anticoncepcional foi transformando aos poucos o cenário mundial ao permitir que gestações em momentos inoportunos fossem evitadas. Permitiu também que mulheres tivessem um maior controle sobre o seu corpo e suas decisões. O sexo deixou de ser visto apenas como método de reprodução e passou a ser mais reconhecido como meio de prazer. Este efeito é inegável, a revolução causada pelo remédio impactou a sociedade, deu autonomia à mulher.

Hoje em dia, o método de contracepção mais utilizado são os anticoncepcionais. Entretanto, a pílula que é tida como heroína, facilmente se torna vilã. Não é difícil encontrar mulheres que sofram com os famosos efeitos colaterais e disfunções ocasionadas pelo medicamento. Além disso, o uso do anticoncepcional oferece um risco até seis vezes maior do desenvolvimento do tromboembolismo venoso, popularmente conhecido como trombose.

Maria Clara Paiva, 21, utilizou anticoncepcionais durante três anos por conta de problemas no ovário e interrompeu o uso assim que foi diagnosticada com Dermatite Ocre, uma doença vascular ocasionada por alguns dos hormônios presentes na medicação. Fora isso, a estudante de fisioterapia conta que sofreu com mais efeitos comumente relatados por outras mulheres. “Tive ganho de peso, cansaço nas pernas, fiquei muito estressada, além da doença vascular (dermatite ocre), enjoos e crises de ansiedade”, relata. 

Segundo pesquisa da Universidade de Washington, recentemente apresentada em Chicago, Estados Unidos, há um avanço quanto ao desenvolvimento das pílulas anticoncepcionais voltadas aos homens. Essa alternativa foi vista com bons olhos pela estudante: “Seria ótima a liberação dos anticoncepcionais para homens levando em conta que temos durante cada mês apenas um período fértil enquanto os homens são férteis todos os dias”, comentou.

O modo como cada organismo reage à quantidade de hormônios ingeridos é diferente, podendo causar além de dores físicas, as crises de ansiedade. A depressão é também um efeito comum. Jullyenne Rocha, 21, apesar de ter utilizado por pouco tempo, sofreu já no início as frustrações proporcionadas pelo remédio. “Eu usei por três meses. No primeiro mês eu só sentia muita dor de cabeça, a partir do segundo mês eu comecei com os sintomas de depressão, mas achava que era normal, pensei que fosse uma adaptação do meu corpo ao remédio. Perdi muito peso, não tinha vontade de comer e fui ao médico, lá eu descobri que era tudo decorrência dos anticoncepcionais”, disse. 

A ginecologista consultada afirmou que a tolerância aos hormônios é variável. Enquanto uma mulher pode suportar altas dosagens e não sentir absolutamente nada, outra pode receber quantidade menor e ter grandes disfunções. É fundamental que sejam avaliadas as necessidades individuais de cada uma. Além disso, o uso de contraceptivos pode ser motivado por outros fatores que não a prevenção da gravidez e a automedicação é perigosa em qualquer circunstância. Portanto, antes de iniciar o tratamento consulte um(a) profissional. 

Os inquestionáveis 58 anos de sucesso da pílula fazem sua fama. Bem como seus mal-estares também saíram do anonimato. A responsabilidade preventiva no sexo não deve estar destinada apenas a mulher e para isso aguardamos resultados da ciência. Vale lembrar que os anticoncepcionais cumprem o seu papel quando o assunto é evitar a gestação, mas apenas o preservativo é capaz de prevenir as IST’s (Infecções Sexualmente Transmissíveis).

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