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Imersão tecnológica 100%: o camping na Campus Party Natal

Por Ana Flávia Sanção

Centro de Convenções de Natal. Foto: Equipe Grupert.

Da entrada até a parede dos fundos tudo o que se vê são barracas de acampamento, todas perfeitamente enfileiradas, idênticas a não ser pela cor. Numa primeira olhada, não dá para ver ninguém. Está silencioso e gelado. Aos poucos, conforme a visão se ajusta, conseguimos ver uma, duas, três pessoas caminhando.

Barracas no Camping. Foto: Equipe Grupert.
O ambiente não parece muito convidativo durante a tarde, porque todos os acampados estão concentrados na Arena da Campus Party Natal. Mas é nesse galpão que todos os dois mil campistas se reúnem desde quarta-feira até o domingo, fazendo da experiência uma imersão completa.

Quando não estão conectados na Arena ou no Open Campus, os campistas podem desopilar numa quadra esportiva ou num espaço de relaxamento com músicas calmas e pufes coloridos. Alguns, no tempo livre, preferem dormir e outros nem dormem - uma cena comum é ver campistas enrolados em lençóis enquanto jogam ou estudam no espaço da Arena.


A motivação do campista

Arena Campus Party Natal. Foto: Equipe Grupert.
São vinte e quatro horas de evento. Em contraste com o ambiente tranquilo e silencioso da zona de acampamento durante à tarde, os espaços de exposição, atração e interação da Campus Party - Open Campus e Arena - não param por um minuto sequer.

Dentro da Arena, local principal e exclusivo para campuseiros, o ambiente é bem iluminado e dinâmico. Há sempre algo acontecendo, mesmo depois de a programação do dia encerrar. Mesas e mais mesas de computadores se estendem espalhadas por toda a extensão, onde ocorrem campeonatos de jogos, brincadeiras e interação simultânea. O café é o grande amigo dos campuseiros, que montam pirâmides e fazem coleções de copinhos nas mesas.

Pirâmides feitas de copos de café. Foto: Equipe Grupert.
No Open Campus, as atrações vão das 10h às 21h. Apesar de estar direcionado principalmente ao público externo da Campus Party, muitos campuseiros aproveitam o que ele tem a oferecer: o palco Entrepeneurship & Startup; o Campus Kids, voltado às crianças com o espaço Educação do Futuro; e o Espaço Drones.

Segundo Tonico Novaes, diretor-geral da Campus Party Brasil, um dos principais fatores que levam as pessoas a quererem acampar é o networking que a imersão tecnológica proporciona.

“O grande barato da Campus party é o network. São as relações que você encontra, são as relações que são promovidas entre os campuseiros, as comunidades, os veteranos, os campuseiros novos. E essa possibilidade de você estar acampado aqui permite que você as vezes assista uma palestra de uma comunidade que é algo novo, uma ideia nova, uma parceria para uma criação de uma startup, de um novo negócio ou aperfeiçoamento de uma ideia sua, ou criar uma nova amizade”, afirma ele.

A atmosfera non-stop do evento faz com que os campistas criem laços comunitários. Muitos deles são jovens e viajam sozinhos para participar da Campus Party. O camping os aproxima e faz com que a experiência seja mais proveitosa e divertida. “Eu não achei que seria tão vivo 24 horas por dia, mas é. A comunidade me impressionou bastante, todo mundo unido para fazer o que vieram fazer: jogar, estudar, empreender”, conta Joanderson Tiago, 18 anos, campuseiro pela primeira vez.


Não é só Rio Grande do Norte

Bandeira de Pernambuco na Arena da Campsu Party. Foto: Equipe Grupert.

A Campus Party não é apenas um evento local, além da cidade de Natal ela mobiliza a região nordeste como um todo, trazendo campistas de vários estados diferentes como Ceará, Maranhão, Paraíba, Bahia. Todos eles procuram aproveitar a CP da melhor maneira possível, mesmo que isso signifique acampar durante cinco dias.

Na quarta-feira, várias caravanas de fora da capital chegaram ao Centro de Convenções trazendo campuseiros de diversas localidades, desde o interior do estado a cidades como Fortaleza e Recife. Como uma tradição, muitos já foram a outras edições e pretendem continuar indo.

Arena na CP Natal. Foto: Equipe Grupert.
Bismark Diniz é de Caicó, Rio Grande do Norte, e já está em sua terceira edição do evento. Ano passado, viajou por quase um dia para participar da Campus Party Bahia. “O clima da Campus Party é o camping. É sempre uma aventura”, acentua.

Para os campistas de primeira viagem, tudo é novidade. A maranhense Élida Correia veio do Ceará à Campus Party Natal numa caravana universitária e se surpreendeu ao chegar aqui. “Apesar de já ter saído do meu estado, nunca tinha sido para um evento desse porte. Está sendo minha primeira oportunidade e eu estou achando muito legal. Eu entrei cinco minutos no evento e já não queria mais ir embora”, confessa.

Além de promover uma experiência nova, o camping também é mais acessível àqueles que não podem gastar muito. No pacote do campuseiro está garantido a barraca que ele irá dormir, além dos espaços de relaxamento fora do espaço de acampamento. Para quem vem de fora é uma forma de economizar dinheiro e ainda socializar. “A maioria das edições eram muitos distantes para mim e quanto maior a distância maiores os custos. De Fortaleza, essa era a edição mais próxima que tinha e o camping estava bastante acessível junto com o ingresso”, Élida completa.

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