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RobôLivre gerando carisma para educar


Através do mascote, empresa chama atenção para o estudo da robótica

Por Germano Freitas



Um dos destaques da Campus Party, em qualquer edição, é o ambiente de networking e transmissão de informação. O espaço da Arena é estabelecido para que as pessoas interajam entre si enquanto estão usando seus computadores ou assistindo palestras. Desta forma, a Campus Party Natal também foi um local para se conhecer pessoas e ideias inovadoras e diferentes.

Assim, surgiu em meio ao público um robôzinho feito em madeira, com feições amigáveis em seu visor e que chamou a atenção por parecer andar sozinho. Chamado de BOLI, ele é mascote e obra da RobôLivre que estava presente no Centro de Convenções de Natal para participar do evento. A altura similar a de uma criança faz com que o robô tenha logo o carisma infantil.

A história de BOLI vem da evolução da empresa de seus criadores, a RobôLivre surgiu a princípio como um projeto de mestrado de Henrique Foresti. “A ideia inicial era criar uma plataforma online para ensinar robótica a qualquer pessoa, independente de classe social ou idade”, disse Henri Coelho, um dos projetistas do robô. Com a aplicação da ideia, em 2005, surgiu o site roboliv.re, hoje, o mesmo já conta com mais de 6 mil membros Brasil a fora.

Depois de algum tempo foi criada a empresa, RobôLivre. A mesma foi idealizada de tal forma que o setor privado a contrate para ensinar e promover a robótica em escolas públicas. Assim, seus membros passaram a trabalhar para institutos, como: o Instituto Shopping Recife, que adotou a comunidade de Entra Alpuso; o Instituto João Carlos Paes Mendonça (JCPM), que adotou várias comunidades em torno de seus empreendimentos; e o Instituto Conceição Moura, que adotou toda a cidade de Belo Jardim, no interior do estado de Pernambuco. 

O foco principal é educar, “educação através da robótica, não só materializar as coisas”, enfatiza Henri. Ensinam a programação e a “mão na massa” em pequenos artefatos para que as crianças desenvolvam curiosidade sobre o assunto. “Materializar as coisas não é o nosso foco, mas quando você traz um robô para dentro de uma feira como essa a gente vê o retorno maravilhoso e as pessoas começam a procurar nossa plataforma para aprender”.

BOLI foi desenhado por um designer a pedido da empresa, que procurava redesenhar sua marca. Ao ver e aprovar o desenho pensaram e realizaram o projeto para tirá-lo do desenho, tornando-o realmente o mascote do grupo. “O retorno de emoção das crianças é maravilhoso, será que um robô desses, todo de madeira (MDF), projeto todo nosso, não pode levar essa criança a sonhar um caminho da engenharia, não só da robótica, mas da engenharia, do software… um caminho do bem já é de bom tamanho”, afirma Henri.

Por enquanto, BOLI está limitado a andar e mudar seu sorriso, mas a RobôLivre já planeja uma nova versão dele para participar de campeonatos, ele vai ganhar emoções, interface de comunicação com pessoas e ser autônomo em ambientes menos cheios do que a Campus Party, entrando na categoria at home. 

Existe também um plano de lançar uma versão de venda do robô, mais reduzida, apenas cerca de 20cm de altura. “A gente vai lançar ano que vem, que vai ser uma versão de montagem, para crianças montarem - crianças sendo jovens de 9 a 90 anos - e poderem trabalhar com ele através de bluetooth”, disse Henri Coelho. Haverá, também nesta versão, um componente onde as pessoas vão receber atualizações e vão poder ficar mexendo e alterando o seu BOLI.

A equipe da RobôLivre tem planos mais ousados, pretendem um dia fazer do mascote também um robô de cuidados, “a gente vai conseguir colocar um robô desses dentro da casa de um idoso, por exemplo, e ele cuidar desse idoso”. Mas isso ainda demanda estudos e desenvolvimento, “estamos falando de um robô que não vai ser preciso mexer nele durante meses”. 

A empresa ainda não conta com nenhuma parceria com universidade, algo comum nesse ramo da tecnologia, ou incentivo de ordem estatal. “Somos uma empresa de grandes amigos que tem o sonho de transformar através da robótica”, finaliza Henri.

Com o carisma de BOLI, a RobôLivre já foi chamada para fazer palestra em um evento da área da publicidade. Apesar da expectativa de pouco público por Henri, ele fica feliz em lembrar que a sala estava cheia e a conversa foi um sucesso. Com um objetivo de educar e o uso do carisma para atrair, a robótica ganha mais atenção através dessa atitude inovadora.

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