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Tecnologia Espacial como combustível para o futuro


Edição potiguar da Campus Party teve a ciência do espaço sideral como tema principal
Por Germano Freitas

Toda edição da Campus Party tem um tema específico para o desenvolvimento daquele lugar, assim, o evento traz atenção para um potencial da cidade ou região. No caso da Cidade do Natal, foi escolhida a área aeroespacial, dando foco a palestrantes que estimulam o desenvolvimento de ciências e tecnologia para tal.
Na Campus Party Natal tivemos vários palestrantes magistrais, aqueles que estão no palco principal enquanto não há nenhuma outra atração nos demais, que, de diferentes formas, falaram da busca pelo conhecimento do espaço sideral. A variedade foi de tal forma que o público pôde conhecer um pouco de como o estudo e a exploração do espaço podem nos beneficiar.
Ainda antes da abertura oficial, tivemos um exemplo do que o evento queria enfatizar. Na palestra “Preparar, Lançar, Rastrear!”, Dino Lincoln, embaixador da Campus Party no Brasil, e o Tenente-Coronel Almeida, do Centro de Lançamento Barreira do Inferno (CLBI), o público presente foi informado e depois pode assistir, por meio de uma transmissão ao vivo que também contava com o rádio dos operadores, o lançamento de um Foguete de Treinamento Básico (FTB). Tal operação serviu para manter o pessoal do centro em preparo, como manda o código regulatório. Para a plateia serviu, como explicação e demonstração do trabalho realizado pelo CLBI.  
Já na abertura, Marcos Pontes, primeiro e único astronauta brasileiro, contou sua história de vida e sua experiência até quando foi para a Estação Espacial Internacional. Pontes estimulou a platéia a perseguir aquilo que sonha, “nos momentos difíceis, são seus sonhos que vão te segurar”.
Com a sequência do evento, vieram mais palestras com o foco na área aeroespacial: além dos palestrantes magistrais, também houve passagens pela questão da exploração e uso do espaço exterior ao nosso planeta. Aqueles mais interessados na questão puderam conhecer o Plano Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), no qual foi incluído o recente lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação (SGDC), que trouxe a autossuficiência do Brasil na comunicação militar e participa do Programa Internet para Todos, além dos objetivos futuros do país.
Cristiano Augusto, falava ao público sobre as metas do PNAE para o futuro. Foto: Equipe Grupert
Indo além das apresentações, a palestra “Operações Aeroespaciais: Preparar, Lançar, Rastrear!” trouxe explicações do por quê desenvolver esse ramo da tecnologia de forma nacional. Como principal fator, foi colocada a atuação do CLBI como auxiliar nesse desenvolvimento.
Cristiano Vilanova, contou como foi participar da construção do SGDC e o trabalho que o equipamento vai desempenhar. Foto: Equipe Grupert
O entusiasmo não ficou apenas para o exemplo do astronauta brasileiro; o americano Gabe Gabrielle também foi um magistral nesta edição. Gabe é engenheiro da NASA e um participante assíduo da Campus Party, como educador e palestrante motivacional. Ele gosta de incentivar as pessoas, “sempre lembrem de três coisas: faça o seu melhor, divirta-se com o que faz, acredite em você; assim conseguiram realizar qualquer coisa”. Como exemplo, ele adora ressaltar a diversão que tem trabalhando na agência espacial americana, “NASA é sobre se divertir”. Para o estadunidense, deve-se ter prazer naquilo que faz; ele inclusive ressalta que é assim que podemos influenciar mais crianças a se interessarem por ciências e seguirem carreira na área.
A astronomia também teve sua participação de forma marcante na CP Natal. Palestras como “O que faz um planeta ser habitável?” e “Luz: O Início de tudo” explicaram mais sobre o estudo de outros planetas e do espaço. Mas foi com “A missão Cassini a Saturno” e a Drª Rosaly Lopes, brasileira cientista da NASA há mais de 20 anos e membro da missão Cassini-Huygens a Saturno e suas luas, que o assunto teve seu maior destaque. Rosaly explicou toda a linha temporal da missão, que originalmente duraria quatro anos e chegou a quase cinco vezes isso; mostrou as descobertas, que surgiram da análise dos dados; e explicou a razão da nave Cassini ter sido sacrificada no planeta gasoso: “existe uma possibilidade de vida na lua Titã e não podíamos arriscar infectá-la com microorganismos terrestres”.
Drª Rosaly mostra o cronograma da missão junto a um mapa do trajeto percorrido pela espaçonave. Foto: Equipe Grupert
Em desenvolvimento ao estudo de planetas, houve a palestra “Habitat Marte: o espaço é agora!” apresentando as pesquisas para habitar o planeta vermelho. A ideia é simular uma habitação para estudar os problemas que podem surgir e desenvolver tecnologias para solucioná-los. A principal experiência acontece em Utah, nos Estados Unidos, no Mars Desert Research Station (traduzido livremente para “Estação de Pesquisa do Deserto Marciano”), mas o Brasil tem seu pioneirismo no assunto com primeira estação de pesquisa na América do Sul, localizada na cidade de Caiçara do Rio do Vento, terreno potiguar. O objetivo é iniciar a exploração espacial e até criar uma colônia em terreno marciano.
Com o prosseguimento do evento, apresentaram-se ainda mais palestrantes motivacionais, como Marcos Palhares, que contou sua trajetória de vida se preparando e procurando uma forma civil de chegar ao espaço. Mas o diferencial ficou com João Paulo Barreira, criança de oito anos que já é vencedor de concurso da NASA e autor de dois livros sobre exploração espacial, história contada em post anterior. Jovem prodígio, o menino estimulou a todos para que busquem desenvolver ciência e tecnologia e a estabelecer um comportamento sustentável, através da reciclagem.
Marcos Palhares falava para a plateia sobre sua experiência enquanto se preparava para ir ao espaço. Foto: Equipe Grupert
Não foi só com palestras de explicação, apresentação e entusiasmo que a Campus Party procurou desenvolver a questão aeroespacial em Natal. Em um dos horários principais se juntaram nomes de conhecimento e permanência no assunto, como o Tenente-coronel Almeida; José Henrique, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com mestrado, doutoramento e pós-doutoramento no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais; Gabe Gabrielle; e outras autoridades para falar sobre a situação atual do Brasil, seu potencial e quais os desafios para evoluir a tecnologia necessária.

Público ouvia atencioso a conversa sobre o setor aeroespacial no Brasil. Foto: Equipe Grupert

A história do corrida espacial não foi esquecida e foi apresentada em “Programa Apollo: como fomos à Lua!” por Júlio César Guedes Antunes, Mestre em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina e editor do website de história militar “Sala de Guerra”.
Com toda essa programação, a Campus Party Natal teve o objetivo de ascender o potencial da região na área aeroespacial. Para tal, disseminou o trabalho do CLBI e a importância do desenvolvimento da tecnologia, com seu reflexo e impacto na vida das pessoas. Agora cabe à comunidade científica local enxergar as possibilidades e trazer para a realidade aquilo que o evento estimulou.

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