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Adeus, sinal analógico. Feliz sinal digital!

Por Evandro Ferreira

Reprodução TV Tribuna

No dia 30 de maio de 2018 acontecerá mais uma etapa do apagão analógico, o evento trata-se do desligamento do sinal analógico terrestre de televisão usado por mais de 30 anos no Brasil. A mais nova etapa do evento acontecerá na região metropolitana de Natal e em alguns municípios do interior do Rio Grande do Norte, além de outras capitais do país como João Pessoa (PB), Maceió (AL), Aracaju (SE), Teresina (PI), Belém (PA) e Manaus (AM). 

Muito mais do que uma troca do sistema de transmissão, a mudança representa, pelo menos em tese, uma das maiores revoluções nos últimos tempos na forma de se consumir conteúdo televisivo pela grande parte da população brasileira. Mas desde sua concepção e chegada o sinal digital acabou representando bem mais um grande obstáculo a ser vencido do que uma revolução por si só. 

Inauguração do sinal digital (Ricardo Stuckert/Agência Brasil)
A inauguração dessa nova forma de se transmitir o sinal aconteceu no dia 2 de dezembro de 2007, mas apenas em julho de 2012, cinco anos depois no início, foi que a TV digital chegou em Porto Velho e em Rio Branco, as últimas capitais brasileiras a receber a novidade. Segundo as previsões da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a previsão para o desligamento geral, em todas as cidades do Brasil, será em 21 de dezembro de 2023, ou seja, 16 anos depois do começo da implementação do sistema. 

Os benefícios para a mudança de sinal consistem na melhoria significativa de captação de som e imagem, tudo sem aqueles chuviscos e interrupções costumeiros na televisão. É como se você estivesse vendo uma fita VHS e fosse a partir de agora ver um Blu-ray. 

Outra mudança está no padrão de tela, antes as imagens eram transmitidas no padrão SD, na proporção 4:3, que é aquela tela quadrada tão conhecida por todos. A chegada do digital também representa a implantação do formato HD 16:9, é a tela retangular com maior possibilidade de alocação de informação na tela. 

Reprodução InterTv Cabugi
Além disso, outro benefício é a possibilidade de interatividade. O telespectador não apenas receberá o sinal, mas vai também poder transmitir, já que a forma de decodificação de sinal é binária e a via que recebe também pode emitir dados. Na prática, se você tiver interesse em adquirir um produto que está passando na novela das nove você poderá fazer isso apenas com alguns cliques no controle remoto. No entanto, essa possibilidade está um pouco distante da capenga adequação à realidade brasileira. 

As promessas são muitas, mas é necessário olhar para a realidade potiguar e suas particularidades. No Rio Grande do Norte, as emissoras de televisão fizerem bem o dever de casa, embora que em alguns casos essa tarefa esteja sendo feita como faz um aluno que deixa para fazer tudo em cima da hora. 

A InterTv Cabugi possui uma vantagem de ser afiliada da Globo no Estado e de possuir uma assessoria técnica da rede para isso, no entanto, os cenários de telejornais e os grafismos visuais ainda não estão adequados a nova realidade - falha essa que se repete na Band Natal (Band), TV Tropical (Record TV) e Tv Universitária (Tv Brasil). A única que parece ter entendido a necessidade de mudança geral foi a TV Ponta Negra (SBT) que recentemente inaugurou os seus novos estúdios e aparato tecnológico. 

O que explica essa incoerência de forma bem sucinta é a falta de investimentos constantes no parque tecnológico de cada uma dessas emissoras, pois estima-se que para a mudança total para o sinal digital seja necessário valores na ordem de 1 milhão de reais apenas para adquirir os equipamentos necessários. E isso nem todo empresário pode e quer investir, principalmente no cenário de crise que o país passa. 

Reprodução InterTv Cabugi
Essa crise também afeta os telespectadores que para receber o sinal digital precisam ter o televisor com o conversor embutido ou adquirir o aparelho externo e uma antena adequada. Para isso, o Governo Federal entrou na roda e está distribuindo kits para beneficiários dos programas sociais para que possam utilizar os seus televisores antigos. O comércio também está de olho e está fazendo feiras com promoções exclusivas para quem quiser adquirir novos equipamentos. 

Com um país continental a ser conquistado, uma população numerosa e diversa a ser entendida e uma situação econômica diferenciada, a chegada do sinal digital no Brasil está longe de ser um evento simplório e rápido. A única coisa que temos é a certeza de que ainda teremos muito chiado sobre o assunto.

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