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Álvaro Dias: “Eu quero refundar a república”

Pré-candidato defende uma mudança profunda no sistema político brasileiro, e apesar de se considerar liberal, é totalmente contra a legalização das drogas

Por Augusto Ranier e Yuri Gomes

Senador Álvaro Dias em coletiva antes do evento. Fonte: Fiern 

Álvaro Dias, 73, senador paranaense e pré-candidato à presidência pelo Podemos, esteve em Natal no último dia 03 para participar da segunda edição do "Caminhos do Brasil". Evento realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte que pretende trazer todos os presidenciáveis à Natal. No encontro com empresários, o parlamentar criticou a atual lógica da política brasileira, a corrupção generalizada e prometeu refundar a república. 


A reforma do estado

A reforma do estado é o assunto mais presente nas suas falas por pensar que essa é "a premissa básica para a recuperação econômica do Brasil". Afirmou que a corrupção só ocorreu porque "do outro lado da rua havia o corruptor" e dessa forma, acredita que o presidente eleito terá o dever de "descolar o setor privado do setor público e criar um novo ambiente de negócios com respeitabilidade nacional e internacional". Os investimentos perdidos, na sua opinião, retornarão a partir de uma grande reestruturação da máquina pública. 

Na vida pública há 50 anos, o senador advogou por um novo modo de fazer política. É contrário à forma pela qual as reformas foram feitas nos últimos governos. "O presidente da república apresenta sua proposta ao Congresso, instala o balcão de negócios e estabelece o ‘toma lá, dá cá’... a compra os votos. Agora tem que ser o inverso: primeiro a sociedade e depois o congresso... sem a chancela do presidente, nenhuma reforma profunda acontece", declarou. 

Com passagem por 7 partidos [MDB, PST, PP, PSDB, PDT, PV], o senador criticou o grande número de agremiações políticas existentes no país. Segundo ele, há no Brasil uma "fábrica de siglas alimentada pelo fundo partidário: são 35 registradas e mais de 60 na fila de espera". Esse cenário, na visão do ex-governador do Paraná, possibilitou que a corrupção ganhasse espaço. 


Pautas identitárias e estatuto do desarmamento

Álvaro Dias raramente se posiciona acerca de pautas identitárias como aborto, legalização das drogas e casamento entre pessoas do mesmo sexo. Pouco conhecida é, também, seu entendimento quanto à liberação do porte de armas. Durante sua exposição, não comentou a respeito dessas questões nenhuma vez.

Após a palestra, perguntado pela reportagem, deu breves declarações. 

"Já é assunto superado, porque o Supremo Tribunal Federal já consagrou jurisprudência", esquivando-se de declarar sua opinião pessoal acerca do casamento homoafetivo.

Opinando sobre política de drogas, o senador sustentou que o Brasil não está preparado para uma eventual legalização: "Não temos mecanismos adequados para atender as demandas dos dependentes". Acredita que qualquer medida nessa direção seria um estímulo ao consumo. "Sou radicalmente contra a legalização", afirmou. 

Mantendo o mesmo tom discreto, considera suficiente a atual legislação do aborto. "A legislação que temos já prevê as excepcionalidades". 

O pré-candidato é favorável a uma maior flexibilização do estatuto do desarmamento. "Houve um plebiscito e o povo brasileiro decidiu que quer usar a arma", disse. 


Juros, privatizações e crise fiscal 

"Na economia eu sou liberal, evidentemente", anunciou ao ser questionado sobre sua posição econômica. "O empreendedorismo é a força motora do desenvolvimento. Precisamos valorizar a iniciativa privada".

Mesmo assim, defende posições caras a essa visão, como a manutenção da Petrobras e Eletrobras como empresas estatais: "A Petrobras precisa ser reestatizada, pois nos últimos anos ela foi privatizada pela corrupção". Ainda assim, ponderou que "algumas funções dessas empresas podem ser terceirizadas". 

Crítico dos elevados juros praticados pelos bancos, Álvaro Dias defendeu uma maior regulação do Banco Central nesse ponto: "Podemos praticar taxas de juros inferiores às atuais". Como argumento, citou as taxas de juros portuguesas: "O banco português define a taxa de juros para cartão de crédito e lá a taxa foi de apenas 16% ao ano. No Brasil, apenas quatro grandes bancos operam 80% do crédito e são eles que definem as taxas. É possível que o estado tenha uma presença para evitar esse abuso". 

Em relação à crise fiscal, o paranaense disse que uma solução passa por "reformas imprescindíveis e insubstituíveis". No entanto, não chegou a nomeá-las e nem detalhá-las.

"Os empresários que estão aqui sabem que 40% do total produzido no país vai para os cofres do governo. Em dois itens apenas 65% desse total desaparece: previdência e folha de pagamento", salientou. Dias apontou, em seguida, a causa do problema: "A culpa pela crise é desse sistema, do balcão de negócios, do aparelhamento do estado e do loteamento de cargos".

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