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Bruno Araújo: “Jornalismo não é 100 metros, é maratona”

Jornalista com passagens por vários veículos de comunicação do RN ministrou oficina na II Semana de Jornalismo 

Por Anthony Matteus e PH Dias

No dia 23 de maio ocorreu na sala do Estúdio de TV, no Departamento de Comunicação, a oficina de Jornalismo Esportivo, ministrada pelo jornalista Bruno Araújo, que tem uma longa experiência em jornais do estado. Seguindo a temática “Táticas, técnicas e dribles curtos num mercado em transformação”, o oficineiro mostra o quão importante é a produção de conteúdos mais originais e diferenciados dos demais. Ressalta ainda, de como isso pode ser um fator essencial para novas possibilidades que surgem a partir da internet. 

Bruno apresentando a palestra de Jornalismo Esportivo. Foto: Wanyla Ketley/Semana de Jornalismo UFRN

A grande rede foi o ponto central da oficina. O jornalista aborda a internet como cheia de possibilidades, um espaço fértil para a prática do jornalismo esportivo. Ele enfatiza que a mídia digital oferece uma autonomia que a tradicional não dá: “O mercado na redação não é fácil, tenho uma série de dificuldades quando a questão é produzir conteúdos novos, há vezes em que tem que brigar com o chefe”. 

Bruno também contou suas experiências na editoria esportiva e lembra que não é só glamour. Ele fala da correria que é o dia a dia em uma redação, fazendo analogia com a frase “jornalismo não é 100 metros, é maratona”: “tem momentos que você está terminando uma matéria, então publica e acha que vai respirar, mas aí você vê que já tem outra pauta”. Apesar disso, ele comenta: “Ver o feedback do público no outro dia é o que nos dá vontade de fazer isso”. 

Foi com esse ritmo que o jornalista chegou à cobertura do maior evento esportivo mundial, a Copa do Mundo. Na edição de 2014, a oportunidade veio: “Costumo dizer que a cobertura de uma Copa do Mundo coroou um pouco do nosso esforço diário. Sem dúvida, foi um dos melhores momentos para mim”. 

Bruno cobrindo a final da Copa do Mundo na cabine de imprensa. (Foto: Perfil oficial do Bruno no Instagram) 

Em contrapartida, o jornalista relata o quanto que a editoria é esquecida nos jornais. “Não é que ela seja renegada, mas os veículos de comunicação têm outras prioridades que não seja o esportes. Aí ela acaba ficando em segundo plano, também tem a questão das redações e sua falta de estrutura, eles privilegiam outras editorias em detrimento a de esportes”. 

O palestrante ainda deu dicas importantes para quem está começando, uma delas foi quanto a relação que devemos ter com a fonte e sempre fugir do lugar comum. “Eu costumo dizer duas coisas: o bem mais precioso do repórter é a sua agenda telefônica e seu bloco de notas, mas a agenda é fundamental, porque você precisa construir com o tempo e guardar esses números, como também manter um relacionamento com a fonte e sempre que precisar ter um tipo de relação que possa contar com esses contatos. Não estou falando que é para ser amiga dela, e sim, fazer consultas frequentes. Exemplo, no livro do PVC, ele quando sempre chegava na redação da Folha, ligava paras as vinte assessorias de imprensa das equipes do Campeonato Brasileiro Série A, para ver se surgia alguma novidade. O contato com a fonte é um exercício, primeiro, descobre o número do telefone de alguém, liga e faz a matéria, depois guarde esse número e quando tiver alguma questão é só ligar para essa fonte de novo e nesse processo criamos uma relação com ela”. 

Bruno atualmente está escrevendo um livro chamado “Moura, o Príncipe Negro”, que está em fase de edição e será lançado em julho, durante as festividades de aniversário do América de Natal.

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