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Cynara Menezes abre a II Semana de Jornalismo da UFRN

Por Renata Duarte e PH Dias

Daniel Dantas Lemos e Cynara Menezes. Foto: Semana de Jornalismo.

Para falar sobre o tema “Fake News e a Era da Pós-Verdade”, a II Semana de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte trouxe como conferencista de abertura a jornalista Cynara Menezes, dona do site Socialista Morena. 

Em uma de suas primeiras falas na conferência, Cynara afirmou que fake news são sempre criadas com o intuito de prejudicar pessoas. E fez uma análise temporal sobre o surgimento das primeiras notícias falsas, desde Adão e Eva até a forte influência das mentiras em resultados eleitorais, como na última eleição dos Estados Unidos, que teve Donald Trump como candidato eleito. 

Sobre esse assunto, Cynara mencionou o estudo feito pela Universidade de Ohio, publicado pelo site “The Conversation”, que atribuiu a vitória de Trump à três notícias falsas. A primeira foi uma suposta doença de Hillary Clinton, seguida da aprovação do armamento para jihadistas pela candidata. Em terceiro, o apoio do Papa Francisco à candidatura de Donald Trump. 

A produção de notícias falsas é vista pela jornalista como um negócio lucrativo, possibilitado por pessoas que realmente creem no que é veiculado. Quando perguntada sobre a forte crença em tudo o que é postado nas redes sociais, Cynara considerou que a baixa instrução e a ausência de criticidade pelos leitores são fatores cruciais e de grande influência, além do desejo que “querer acreditar” naquilo que se lê. “Não acho que as pessoas só acreditem. É que elas querem acreditar”. 

Outro tema abordado pela blogueira foi o crescimento das Agências Fact-Checking, que não são de todo positivo. Apesar de possuírem papel importante na batalha contra as fake-news, Cynara se mostrou preocupada com os critérios utilizados na checagem da veracidade, no que diz respeito aos veículos que serão checados. A jornalista alertou sobre a necessidade de parâmetros iguais de verificação aos grandes e pequenos veículos, para que não se torne “mais uma arma na mão de poucos”. Reforçando que as grandes mídias não estão isentas de erros e muitas vezes os retificam com “pequenas notas de rodapé”. 

Em rápida entrevista ao Caderno de Pauta, Cynara respondeu algumas perguntas relacionadas à apuração e disseminação do conteúdo falso como forma de ascensão política, confira: 

CP: O impacto das fake news pode ser derrubado com o jornalismo investigativo, apurado? Ou uma vez disseminada, elas são impossíveis de serem desmentidas completamente? 

CM: Não são desmentidas, infelizmente. Quando elas se espalham vem com tanta força que a pessoa não consegue desmentir. Um exemplo disso é sobre a Deputada Maria do Rosário. É o tempo inteiro as pessoas falando que ela defendeu o Champinha (um dos acusados do Caso Liana Friedenbach e Felipe Caffé). Isso não é verdade e não vai adiantar nada ela desmentir cem vezes que isso já virou uma verdade na cabeça de milhares de pessoas.

CP: O que vemos muito hoje em dia são políticos e figuras públicas que acusam jornalistas de fake news pelo simples fato de eles serem contrários ou apresentarem uma visão de mundo diferente das deles. Por que sempre é mais fácil acusar alguém de fake news quando essa pessoa faz um discurso contrário ao seu?

CM: Sim. É muito normal. Tem uma questão muito complicada hoje em dia que é a briga entre Israel e Palestina. Eu sou a favor da Palestina e do duplo Estado, acho que tem espaço para todo mundo conviver. Porém, Israel quer esmagar a Palestina. Toda vez que eu falo isso, aparecem pessoas falando que são fake news. Então, eu escolho a dedo os links que eu publico na minha página no Facebook. Só o melhor, claro que com uma visão progressista. Nesse caso eu só publico texto do site Haaretz de Israel, um dos melhores jornais do país. Mas, mesmo assim, algumas pessoas comentam que “a fonte não é boa”. Eu penso então que a pessoa não sabe que está falando e que já é um caso de ignorância e se você duvida da confiança do site, aí é outro problema.


Cynara Menezes concluiu a conferência exprimindo opinião sobre relevância dos coletivos de comunicação independentes, na contraposição da mídia hegemônica e também como meio de combate às pós-verdades, que transpassam as redes sociais.

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