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Fake News e a Era da pós-verdade: dando início à II Semana de Jornalismo da UFRN

Por Ana Flávia Sanção, Anthony Matteus, Beatriz Navarro, Marcelha Pereira, PH Dias e Renata Duarte


Foto: Semana de Jornalismo UFRN

A II Semana de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte teve início ontem, quarta-feira (23), às 13h. Este ano, o tema geral é “Fake news: e a era da pós-verdade” e tem em sua programação oficinas, minicursos, mesa-redonda, conferência e exposições culturais de fotografia, literatura e audiovisual. 

Foto: Allyne Paz/Semana de Jornalismo UFRN
Uma das primeiras oficinas, O Jornalismo e o Equilibrista ou o Texto Criativo na Corda Bamba ministrada pela Thays Teixeira, trouxe uma abordagem dinâmica e interativa para falar da importância da observação contextual para o texto jornalístico e como isso afeta diretamente na criatividade de quem o escreve. Com um guarda-chuva, um chapéu e uma árvore pequena de natal, ela simulou com a ajuda dos participantes uma atividade em que o escolhido deveria criar um texto descritivo sobre a árvore em apenas um minuto. 

Comunicação e expressão corporal: o corpo como instrumento do fazer jornalismo também fez parte da programação das 13h. Coordenada por Manoel Ataíde, a oficina trabalhou com a questão do (re)conhecimento do corpo, para depois falar sobre expressão corporal, unindo-as no processo de construção da produção midiática. Uma das dinâmicas mais divertidas foi a de dança, com a música da Xuxa “Cabeça, ombro, joelho e pé”, atribuindo outros significados para cada membro. O joelho foi nomeado como “cabeça”, o pé como “ombro”, a cabeça como “joelho” e o ombro como “pé”, o mesmo aconteceu com os olhos, ouvidos, boca e nariz. 

Abordando o tema mídia, Manoel selecionou dois vídeos de análise facial do canal do YouTube Metaforando: o primeiro estudando a feição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma entrevista, e o segundo analisando o cantor Biel. O intuito foi observar na prática como a expressão do rosto contribui para que uma mensagem seja passada ou até mesmo em como revela para o público a emoção do interlocutor.

Oficina de Comunicação e expressão corporal. Foto: Luiz Gustavo Ribeiro/Semana de Jornalismo UFRN

A oficina Jornalismo Esportivo - Táticas, técnicas e dribles curtos num mercado em transformação, ministrada pelo jornalista Bruno Araújo, teve início às 15h. Começando a oficina, Bruno apresentou o seu currículo e falou sobre o momento pelo qual a profissão passa. O jornalista, com passagens por Globo Esporte, Diário de Natal, Tribuna do Norte e Novo Jornal abordou o modo como as redes sociais, a internet no geral, mudaram as formas de se fazer jornalismo. Ele ressaltou através de dados a possibilidade do jornalismo autônomo, destacando nesses casos o empreendedorismo, como maneira de “driblar” as dificuldades do mercado.
Foto: Wanyla Ketley/Semana de Jornalismo UFRN

Durante a oficina, o jornalista promoveu duas atividades em grupo na tentativa de despertar a criatividade do público presente. Ele dividiu as pessoas em grupo e primeiramente pediu para que elas pensassem uma pauta sobre esportes, mas que fugisse do comum. Depois, Bruno pediu para que os presentes organizassem uma ideia de conteúdo esportivo para plataformas digitais. Sempre descontraída, a oficina teve participação de todos presentes.


Também às 15h, os palestrantes Beatriz Pires, Marcela Freire e Tálison Sena, ministraram a oficina Observatório Amaru: Ferramenta de Monitoramento e Violação dos Direitos Humanas nas Mídias Eletrônicas. Observatório Amaru é o nome dado ao Observatório Latino Americano de Comunicação, Mídias e Direitos Humanos, que consiste em analisar programas de cunho jornalístico, entre outros, veiculados nas mídias de massa, a fim de buscar violações aos Direitos Humanos, ao Código de Ética profissional, ao Estatuto da Criança e Adolescente e Código Penal. 

Além de apresentar os resultados da pesquisa, que teve como objeto de estudo o programa policial da capital potiguar Patrulha da Cidade, os pesquisadores ressaltaram a importância de se manter atento às inúmeras violações cometidas. Sejam das escancaradas as mais veladas, certas condutas em programas deste perfil estão naturalizadas e não são debatidas na sociedade.

O tema é polêmico, mas vem ganhando espaço na academia. O “trabalho de formiguinha”, segundo Tálison Sena, deve ser feito. O objetivo e a expectativa dos pesquisadores é clara: plantar a semente para que as novas gerações questionem mais e consigam transformar um cenário perene, porém mutável, da comunicação.

Oficina do Observatório Amaru. Foto: Página do Facebook da Semana de Jornalismo UFRN

No mesmo horário, aconteceu a oficina Como os perfis literários cumprem uma função de humanizar as pessoas e gerar empatia nos leitores?, comandada por Jadeanny Arruda e Michelle Ferret. A intenção da oficina foi de abrir a discussão sobre a importância da empatia no jornalismo atual e compartilhar as experiências das duas jornalistas nesse meio literário. 

Foto: Maria Luiza Guimarães/Semana de Jornalismo UFRN
Não cabia à oficina o papel de ensinar a como escrever um perfil literário, mas sim plantar no público a semente da humanização. Elas passaram como atividade prática a tarefa de uma pessoa se juntar com outra que não tinha intimidade e perguntar qual havia sido o momento mais feliz dela. Com isso, partia de cada um ter a sensibilidade de entrar na mente do companheiro e tirar o melhor dali. De lá, saíram histórias de luta e de choro que se transformaram em momentos felizes, assim como histórias de felicidade simples. Ao fim, restou a sensação de que todo ser humano tem algo a dizer e compartilhar. 

Aconteceu também a exposição fotográfica da Izabela Dumaresq com o trabalho “A triste realidade do povo do Quilombo Aroeira em Pedro Avelino”. Pedro Avelino, cidade do interior do Rio Grande do Norte, foi retratada nas fotografias. Quem passava pelo corredor do Departamento de Comunicação paravam ao menos 1 minuto para contemplar as fotos, que ficarão expostas até o fim do evento. 

E para quem gosta de audiovisual, houve a exibição de sete produções, dentre elas, o curta “Alcaçuz” do Coletivo Clandestinos, sobre a tragédia que ocorreu ano passado na Penitenciária Estadual, em Nísia Floresta/RN. E hoje (24), há a apresentação de mais cinco curtas, como “Yes, nós temos cinema”, de Lenart Veríssimo, e “Leningrado, linha 41”, de Dênia Cruz. 

Mostra Fotográfica. Foto: Letícia Dantas/Semana de Jornalismo UFRN

Fechando a programação do primeiro dia da II Semana de Jornalismo, tivemos a conferência com Cynara Menezes. A fundadora do Blog Socialista Morena iniciou a conversa com uma reflexão sobre a origem das fake news, fazendo uma linha do tempo desde a primeira mentira contada na época de Adão e Eva, passando por Colombo, que acreditava ter descoberto as Índias, até as notícias falsas veiculadas atualmente, com potencial de promover ou derrubar figuras públicas da sociedade. 

Foto: Semana de Jornalismo UFRN
A blogueira expôs sua opinião sobre a negatividade das fake news em inúmeros aspectos e se mostrou preocupada com os métodos e critérios utilizados por novas agências de checagem. Cynara acredita que os parâmetros devem ser utilizados igualmente em pequenos e grande portais, visto que a grande mídia não está isenta aos erros e muitas vezes retifica com “pequena nota de rodapé”. 

Com a sua simpatia e opinião forte, respondeu todas as perguntas do auditório. E revelou sua preferência aos coletivos independentes, como estratégia de rebate as notícias falsas, que permeiam não só as redes sociais.

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