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A Política por Trás da Bola: Grupo C

Uma série de perfis nem tão futebolísticos dos 32 países da Copa do Mundo da Rússia 

Por Luiz Gustavo Ribeiro

A França, de Emmanuel Macron, é uma das grandes favoritas da Copa. Edição: Paulo Prado/Caderno de Pauta

O Grupo C da Copa do Mundo é um dos mais equilibrados do torneio. De um lado, a tradicional França vem para a sua 15ª participação. Do outro, Austrália, Dinamarca e Peru chegam à sua 5ª aparição em mundiais. Fora das quatro linhas, cada país carrega um fator único na política, sistemas de governo distintos, momentos políticos e sociais diversos e peculiaridades únicas. 

Acompanhe a política por trás da bola de França, Austrália, Peru e Dinamarca, além de uma uma avaliação sobre como as seleções chegam ao mundial. 

França

A política sempre marcou a história dos franceses. A transição do século XVIII para o século XIX ficou conhecido por anos turbulentos e controversos. Primeiro aconteceu a Revolução Francesa, um marco de muito impacto político e social que acabou com a monarquia no país. Anos depois, com um golpe militar, Napoleão Bonaparte toma o poder, se auto proclama imperador e se torna um dos maiores nomes da história do mundo. Hoje a França é uma república semi-presidencialista e conta os três poderes - executivo, legislativo e judiciário.

O sistema de governo divide entre dois dirigentes. Eleito no último ano, o atual chefe de estado e presidente é Emmanuel Macron, foi o mais jovem a assumir o cargo - com 39 anos na época. O Governo é liderado pelo primeiro-ministro Edouard Philippe, nomeado por Macron. A república francesa é caracterizada por ser laica, indivisível, democrática e social pela Constituição da Quinta República Francesa, vigente desde 1958. Além disso, a França participa do G8 e é a quinta maior economia do mundo. 

No mundo do futebol, os franceses dão o que falar em diversos sentidos. Craques como Just Fontaine, Zinedine Zidane, Thierry Henry e Michel Platini marcaram a história das Copas, esse último rende até hoje, mas não da forma que deveria. Fora dos campos, Platini se envolveu em diversos casos de corrupção na FIFA, foi banido do futebol de todas as suas atividades relacionadas por oito anos. Além disso, ele revelou que no sorteio da Copa de 1998 da França, houve um “pequeno truque” para que os donos da casa só cruzassem com o Brasil nas finais, como de fato aconteceu. 

Para a Copa do Mundo de 2018, a França chega como uma das favoritas ao título. Após o título mundial em 1998, os franceses decepcionaram nas edições de 2002 e 2010, eliminados na primeira fase, bateram na trave com o vice-campeonato em 2006 e caíram nas quartas em 2014. Vice-campeã europeia em 2016, a nova geração francesa é liderada pelo atacante Antoine Griezmann e conta com grandes nomes como Paul Pogba e Kylian Mbappe.

Austrália

Localizada na Oceania, a Austrália ocupa a maior parte do continente conhecido geograficamente como Novíssimo Mundo. O governo na terra dos cangurus é uma monarquia constitucional. O país segue o parlamentarismo com a Rainha Elizabeth II como chefe de estado, a Austrália é uma das nações que figuram os Reinos da Comunidade de Nações. 

Como a rainha reside no Reino Unido, o governo federal está dividido entre os poderes judiciário, legislativo e executivo. Recentemente, os australianos anunciaram um boicote diplomático à Copa da Rússia, assim como o Reino Unido, o país culpa Moscou pelo envenenamento do ex-espião russo Serghei Skripal em terras britânicas. Além das peculiaridades políticas, a Austrália se destaca por sua fauna exótica, sendo o local com mais diversidade de répteis do mundo, logo, é o habitat de diversos animais perigosos, como o caso de algumas das cobras mais venenosas do mundo, sem contar com os simpáticos cangurus e coalas.

Representando a Ásia no grupo - você não leu errado - os australianos chegam a sua quinta participação em copas. A mudança ocorreu para evitar o futebol de nível “amador” da Confederação de Futebol da Oceania (OFC), a Austrália evoluiu seu futebol de forma que deixou os vizinhos para trás, migrando assim para a confederação asiática. Na terra de esportes como rugby e críquete, os australianos vão para a Rússia sob o comando de seu maior ídolo, o veterano Tim Cahill de 38 anos, que pode se igualar a Pelé e Klose, sendo um dos poucos jogadores a marcar pelo menos um gol em 4 copas seguidas. 

Peru

A terra das icônicas lhamas. O Peru também abrigou o Império Inca, a maior civilização da América pré-colombiana e no século XVI, foi elevado a vice-reinado pelo Império Espanhol. Atualmente, o governo do Peru é bem semelhante ao brasileiro, com voto obrigatório e o presidente é o chefe de governo e de estado, porém apresenta um congresso unicameral. 

O atual presidente do país é Martín Vizcarra, que assumiu este ano após a forte crise política que impulsionou a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski. Durante seu mandato, PPK enfrentou uma das crises mais delicadas da história peruana, com greves e protestos em todo o país. Além disso, o ex-presidente teve seu nome ligado a casos de corrupção, como o “Caso Odebrecht”.

No futebol, a confusão se transformou em alegria. Após 36 anos, os peruanos estão de volta a Copa do Mundo. Após surpreender nas eliminatórias, deixando seleções tradicionais no torneio, como Chile e Paraguai, para trás, o Peru conquistou a vaga na repescagem contra a Nova Zelândia. Após o susto e o caso de doping, o país vai contar com sua principal estrela, o atacante Paolo Guerrero, um dos maiores ídolos da história do futebol peruano. 

Dinamarca

O reino nórdico que é sinônimo de qualidade de vida, a Dinamarca é dos países conhecidos escandinavos. Constituído por uma monarquia constitucional, o país adota o sistema parlamentar de governo. Atualmente, a Rainha da Dinamarca é Margarida II, enquanto o primeiro ministro do país é Lars Lokke Rasmussen. 

Segundo a revista Forbes, a Dinamarca é “o lugar mais feliz do mundo”, devido ao bem-estar, assistência social e a qualidade da saúde e educação. Líderes em igualdade social, os dinamarqueses conseguem distribuir bem sua renda entre a população e, além disso, a Dinamarca foi classificada como o país menos corrupto do mundo e o segundo mais seguro, atrás apenas da Nova Zelândia.

Na Copa da Rússia, o país vai tentar recuperar a boa confiança dos tempos da “Dinamáquina” que consagraram a equipe na década de 1990, período em que faturou a Eurocopa (1992) e a Copa das Confederações (1995). Em sua quinta copa, os dinamarqueses contam com a habilidade e todo o talento de seu principal jogador, o meia Christian Eriksen, do Tottenham, da Inglaterra, que age como cérebro do esquema tático bem disciplinado do treinador Age Hareide.

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