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A Política por Trás da Bola: Grupo E

Uma série de perfis nem tão futebolísticos dos 32 países da Copa do Mundo da Rússia 

Por L. G. Sousa

Canarinho Pistola: o retrato atual do brasileiro enfezado com a política e doído pelo 7 a 1, mas apaixonado por futebol, carismático e confiante no hexa. Foto: Reprodução/CBF

O Grupo do Brasil na Copa do Munda da Rússia é o E e, além do nosso país, ele conta com Costa Rica, Suíça e Sérvia. Quando estamos falando de futebol, existe uma grande diferença entre o Brasil e seus rivais. O Brasil é o maior campeão em Copas e participou de todas as edições até hoje, enquanto os nossos adversários nunca venceram o mundial e somam um total de 25 participações.

Acompanhe a política por por trás da bola do Brasil, Sérvia, Suíça e Costa Rica.

Brasil

No Brasil, o mal estar político domina as conversas e as discussões de bar, padaria e Facebook. O país passa por uma séria crise política desde o fim das eleições de 2014. Esse momento turbulento se agravou com a queda da ex-presidente Dilma Rousseff, em maio de 2016. O atual chefe de governo, Michel Temer, está afundado em escândalos de corrupção e amarga uma reprovação recorde: 82% de ruim ou péssimo. Depois da Copa do Mundo, o evento mais importante para os brasileiros será as eleições, em outubro. A corrida eleitoral está desfalcada por seu nome mais popular: Luiz Inácio Lula da Silva. Outros jogadores correm por fora, mas não brilham, nas pesquisas, como o ex-presidente. 

O descontentamento político da população refletiu nas expectativas dos brasileiros com o mundial. Em pesquisa do Datafolha, 53% dos brasileiros dizem não se interessar pela Copa do Mundo. O Canarinho Pistola, mascote da seleção, é o retrato de um povo descontente com a humilhante derrota por 7 a 1, na Copa passada, para a Alemanha, desconfiado com os rumos da política nacional, mas apaixonado pelo futebol.

A camisa da seleção brasileira, utilizada em 2016 como uniforme de manifestante político, novamente vestirá uma nação unida pela sua mais sincera paixão. O time canarinho é um dos grandes favoritos para levar a taça. A seleção brasileira de 2018 é muito mais coesa do que a de 2014, não estando tão dependente do Neymar, cujo o talento, obviamente é uma das grandes armas do nosso time. Marcelo, Philippe Coutinho, Willian e outros completam as estrelas da equipe, dispensando apresentações. Além disso, os comandados por Tite vêm de excelente campanha nas eliminatórias sul-americanas: o Brasil se classificou com três rodadas de antecedência. Todos acreditam que o hexa, dessa vez, está mais próximo. Vamos aguardar. 

Suíça

A Suíça, Confederação Suíça ou Confederação Helvética é o país conhecido por ser o neutro e o diplomático, e onde os políticos brasileiros gostam de sempre ter uma conta bancária. Com 26 cantões, ou seja, estados independentes, está localizada na Europa central, entre Alemanha, França, Itália e Áustria. Não existe uma língua “suíça”, assim, o país tem oficialmente quatro línguas oficiais, sendo elas o alemão, francês, italiano e a língua romanche. Em 2016, havia 8 milhões de habitantes. O seu território é menor que o próprio estado do Rio Grande do Norte. Sua capital, Berna, é a segunda cidade mais populosa do país, perdendo para Zurique, que fica no Norte, perto da fronteira com a Alemanha.

Um dos mais famosos paraísos fiscais, ou seja, regiões que, com baixíssima ou nenhuma tributação e, principalmente, por proverem total sigilo bancário, são atrativos para investidores estrangeiros. Segundo a FSI (Financial Security Index), só a Suíça corresponde a 5,6% de todo o mercado global de serviços financeiros offshore. Em maio de 2017, as autoridades do país admitiram que os bancos suíços foram utilizados para lavagem de dinheiro oriundo da corrupção brasileira. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, foram mais de 40 bancos suíços e US$ 1 bilhão estão envolvidos no escândalo.

Nossa adversária de estreia, a seleção suíça é a mais antiga do Grupo E da Copa do mundo da Rússia. Fundada em 1895, é conhecida pela qualidade de sua defesa. Nunca ganhou nenhum título de Copa do Mundo e sua melhor colocação foi na Copa 1950 do Brasil, quando chegou ao sexto lugar.

Costa Rica

País da América-Central, a Costa Rica é dividida em sete províncias, com sua capital San José localizada no centro da província de mesmo nome. Tem como um de seus maiores parceiros econômicos os Estados Unidos e segue um regime político parecido, sendo presidencialista. Sua administração é dividida em três poderes: Administrativo, Legislativo e Executivo. Abrigava em 2014 pouco menos de 5 milhões de habitantes e tem o maior índice de longevidade da América Latina com 79,9 anos, ocupando assim o 31º lugar entre os países que ocupam a lista do Fórum Econômico Mundial.

Mesmo sendo um país pequeno, abriga cerca de 5% de toda a biodiversidade do planeta. O clima é caracterizado basicamente de duas estações, a seca e a úmida, típico de regiões equatoriais. Aproximadamente um terço de todo seu território é protegido por parques nacionais e, a partir disso, o país tem como grande parte da sua economia o ecoturismo. Recebendo pessoas, em especial, dos Estados Unidos, Costa Rica tem grande parte da população com conhecimento de inglês, e pronta para receber os turistas. E tem como objetivo, anunciado em junho de 2007, zerar as emissões de gás carbônico do país até o ano de 2021.

O histórico entre as seleções do Brasil e da Costa Rica não é muito favorável para os costariquenhos. Em 10 partidas disputadas, nove vitórias para a canarinho e apenas uma para a La Sele. Na última Copa do Mundo, a Costa Rica era considerada o time mais fraco do chamado “Grupo da Morte” constituído pelos times do Uruguai,  Inglaterra e Itália. E mesmo com todos esses tubarões, a foquinha conseguiu chegar às quartas de finais.

Sérvia

País oriundo da Iugoslávia, a Sérvia tem 7 milhões de habitantes, de acordo com dados do Banco Mundial, pouco mais que a cidade do Rio de Janeiro, que tem 6,3 milhões de habitantes. É constituída por 29 distritos administrativos, a capital Belgrado e a província de Kosovo. Atualmente é administrada pela Organização das Nações Unidas e é considerada a república mais industrializada da região, usando a moeda Dinar Sérvio. Apesar de pequeno, é um país com cultura histórica e muito delicada.

Fez parte do império Austro-húngaro e é preciso salientar que foi um sérvio, Gravilo Princip, ligado a um movimento nacionalista, que ocasionou o evento que serviu como estopim para a Primeira Grande Guerra Mundial. O envolvimento dos sérvios na Primeira Guerra foi só o primeiro de muitos conflitos que viriam a seguir. Enquanto a Iugoslávia ainda existia, ouve algo que poderíamos chamar de estabilidade política na região, devido ao regime socialista “não-alinhado” à URSS e ao ditador Josip Broz Tito, que reprimia as tentativas qualquer de movimento nacionalista que pudesse existir. Porém, com a crise do bloco socialistas, e com a morte de Tito, as divergências do passado voltaram à tona e a Iugoslávia tinha seus dias contados.

Guerra por guerra, as repúblicas que constituíam a Iugoslávia foram ganhando a independência. As repúblicas da Sérvia, Bósnia e Croácia entraram em conflito durante a década de 90. Em uma tentativa de impedir independências por parte do governo sérvio, e com cada uma das repúblicas tentando conquistar seus territórios, a guerra resultou em cerca de 100 mil mortos e mais de 2 milhões de refugiados. Em fevereiro de 2003, a Iugoslávia deixou oficialmente de existir, dando origem a um país conhecido como Sérvia e Montenegro. Três anos depois, com uma votação ocorrida no território que hoje é conhecido como Montenegro, houve uma votação que ocasionou em outra separação, assim originando os Estados independentes de Sérvia e de Montenegro.

A Sérvia participou na Copa do Mundo 11 vezes, tanto como Iugoslávia quanto como país unificado com Montenegro. Jovem seleção possui a base do time campeão do mundial sub-20, em 2015. A média de idade dos jogadores é entre 23-26 anos. Dos 27 pré-convocados, nove deles tem até 23 anos. O treinador sérvio, Mladen Krstajić, está apostando na personalidade de sua seleção.

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