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A Política por Trás da Bola: Grupo H

Uma série de perfis nem tão futebolísticos dos 32 países da Copa do Mundo da Rússia

Por P.H Dias

A Colômbia, de Juan Manuel Santos, mesmo após a derrota para o Senegal, é a franca favorita de seu grupo. Edição: Paulo Prado/Caderno de Pauta

O grupo H é o mais diversificado da Copa, quatro países de continentes diferentes e apenas a Polônia, do artilheiro Robert Lewandowski, chegou perto de conquistar uma Copa do Mundo. No âmbito político, apesar de suas especificidades, há três países muito parecidos entre si, que têm o primeiro ministro no poder executivo, e um que usa o presidencialismo como sistema de governo. 

Acompanhe a política por trás da bola de Japão, Colômbia, Polônia e Senegal.

Japão

Depois da sua rendição na Segunda Guerra Mundial, o Japão mudou a sua conjuntura política. Atualmente o país é uma monarquia constitucional de regime parlamentarista. O primeiro-ministro do país, Shinzō Abe, faz parte do Partido Liberal Democrático (LDP), sigla conservadora comparada ao Partido Democrático do Japão (DPJ).

Há dois meses, Abe foi acusado de influenciar decisões governamentais sobre a criação de uma escola de veterinária de um amigo. Casos de escândalos de corrupção não são novidade no Governo do primeiro ministro. Durante o seu primeiro mandato, em 2007, o premiê japonês exonerou o ministro de Agricultura, Norihiko Akagi, por envolvimento em corrupção e fez uma reformulação em seu gabinete ministerial como resposta à queda de popularidade do seu governo. Uma semana após a reforma, o ministro da Agricultura que assumiu, Tokohiko Endo, renunciou ao cargo, também acusado de corrupção.

Atualmente, Shinzō Abe vem se encontrando muito com o presidente norte-americano, Donald Trump, para discutir sobre como serão as relações diplomáticas entre Coréia do Norte e os Estados Unidos. Ambos são a favor do desmantelamento completo das armas nucleares de Pyongyang, já que o primeiro ministro japonês quer que a ásia tenha uma boa relação com os interesses ocidentais.

Ao todo, são seis participações japonesas em mundiais. No último que disputou, em 2014, no Brasil, ficou na primeira fase. As melhores campanhas do país foram na Copa de 2002, quando sediou o torneio juntamente com a Coreia do Sul, e em 2010, na África do Sul, em ambas a seleção japonesa só chegou às oitavas de final.

Colômbia

A Colômbia ficou conhecida por conta do tráfico de drogas que assolou a nação em uma onda de violência extrema na década de 80 e 90. Assim como também pela guerra civil entre o Governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) - organização política de inspiração comunista que atuava por meio de táticas de guerrilha. 

Em 2016, o presidente Juan Manuel Santos conseguiu firmar um acordo de paz com o Governo e o grupo guerrilheiro. Primeiro, em plebiscito, a população rejeitou o acordo de paz. Entretanto, isso não impediu de Juan Manuel de buscar a paz. No mesmo ano, houve um cessar fogo entre o Governo colombiano e as FARC. Em 2017, o registro das armas foi concluído em conjunto com a Organização das Nações Unidas. 

No último dia 17 os colombianos foram as urnas para eleger seu novo presidente. O segundo turno das eleições foi disputado entre os candidatos Ivan Duque, de aspiração liberal e conservadora, e o candidato de esquerda, Gustavo Petro. Em disputa apertada, Duque ganhou com 53,95%, enquanto o segundo colocado obteve ficou com 41,83 % dos votos. Após a vitória, o novo presidente prometeu rever o acordo de paz firmado pelo seu antecessor.

A Colômbia foi a seis Copas do Mundo, seu melhor foi na edição de 2014, no Brasil, quando o time foi eliminado nas quartas de final pelos donos da casa. Os principais jogadores do atual time são James Rodríguez, Falcão García e Cuadrado.

Polônia

Na Polônia o presidente é o chefe do estado, mas não de governo, eleito por voto universal para mandato de cinco anos. Ao tomar posse, o presidente nomeia o primeiro-ministro, que precisa ser confirmado pela câmara baixa do parlamento. Esse fica por quatro anos no cargo e assume o poder executivo do país.

Em 2015, aconteceram eleições presidenciais e Andrzej Duda ganhou o pleito. Posteriormente, ele coloca como primeira-ministra Beata Szydło. Duda já tomou algumas decisões polêmicas à frente da presidência. O caso que mais chamou a atenção foi a sua oposição à política da União Europeia de cotas para imigrantes durante a crise dos refugiados.

Duda, em conjunto com o presidente croata Kolinda Grabar-Kitarovic, criou a iniciativa dos Três Mares, uma forma de ajudar e manter uma relação entre os países situados no eixo norte-sul no Mar Báltico, Mar Adriático e Mar Negro. Composta por 12 países, a iniciativa busca a cooperação nos âmbitos da economia e da energia.

Na Copa do Mundo da Rússia, a Seleção Polonesa fará a sua oitava participação. Os melhores resultados em Copas foram dois terceiros lugares - um derrotando o Brasil em 1974, na Copa da Alemanha, e em 1982, batendo a França, no Mundial da Espanha. O elenco atual conta com um dos melhores atacantes do mundo: Robert Lewandowski, jogador do Bayern de Munique da Alemanha. Piszczek, do Borussia Dortmund, e Milik, do Napoli completam o grupo de estrelas.

Senegal

A sua forma de governo é o semipresidencialismo, modo de governar em que o presidente eleito partilha o poder executivo com um primeiro-ministro e seu gabinete. O país africano tem como presidente, e chefe de estado, Macky Sall. A constituição senegalesa fala que o mandato presidencial tem duração de sete anos, com possibilidade de reeleição. 
Os senegaleses enfrentam crise econômica e instabilidade social. As tensões políticas se agravaram quando o estudante de medicina, Fallou Sène, que protestava por conta do atraso do pagamento de sua bolsa de estudos morreu ao ser baleado, durante um confronto com a polícia. Milhares foram às ruas protestar contra a morte do estudante. E, em meio ao caos, Macky Sall decidiu tirar doze dias de férias para acompanhar a seleção do seu país na Copa do Mundo da Rússia.

A Seleção do Senegal vai ao mundial pela segunda vez. Na primeira participação, em 2002, não poderia ter se saído melhor: caiu nas quartas de final, perdendo para a surpreendente Túrquia por 1 x 0 na prorrogação. Este ano, a equipe tem como seu principal nome o atacante do Liverpool, Sadio Mané. O time também conta com os destaques de Koulibaly, jogador do Napoli, e Keita Balde do West Ham. 

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