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Manuela d’Ávila: “Para diminuir o déficit público, precisamos aumentar o investimento”

Em evento, a pré-candidata defende combate às desigualdades, critica Temer e propõe união da esquerda contra o “golpe”

Por Augusto Ranier e Yuri Gomes

Manuela d'Ávila concede entrevista coletiva. Foto: José Aldenir/AgoraRN

Realizado pela Fiern, o Fórum Caminhos do Brasil convidou, no dia 25 de julho, a pré-candidata à presidência Manuela d’Ávila (PC do B – RS) para apresentar suas propostas. A deputada estadual, natural de Porto Alegre, discursou por mais de uma hora frente a militantes de seu partido e lideranças da juventude. 

Em exposição, propôs um “projeto de desenvolvimento” dando ênfase em três temas. O primeiro, diz ela, é achar uma saída para a crise atenuando as desigualdades, especialmente a regional; entre homens e mulheres; e entre brancos e negros. 

Para isso, a gaúcha disse ser preciso a reformulação do papel do Estado no desenvolvimento econômico e social. Segundo ela, o investimento público é fundamental para retomar o crescimento: “Não conheço nação no mundo que tenha se desenvolvido sem um Estado”.

Advogou, assim, pela “tradição brasileira de investimentos públicos”, como disse, com o objetivo de alavancar o consumo e incentivar a indústria. Além disso, elogiou a atuação “com alguns equívocos” do BNDES nos governos Lula e Dilma. 

Discordou, porém, do não-enfrentamento de questões macroeconômicas as quais debocha como “receita de bolo”. Radicaliza: “O resultado dessa política de juros e de câmbio é a destruição da indústria brasileira”. 

Nesse, e em vários outros pontos, pôs-se como antagônica à política do governo Michel Temer. Duvidou do valor da contenção de despesas, que, para ela, resulta no aumento do déficit primário e aprofundamento da recessão. 

“Eles dizem que os gastos do Estado é que são responsáveis pelo déficit. [...] Congelaram os gastos por 20 anos [...] qual foi o resultado disso? O aumento do déficit. Por quê? Porque a diminuição dos investimentos públicos num país como o nosso retrai a economia”.

Uma das questões levantadas foi o diagnóstico da recessão recente. Manuela d’Ávila argumenta que ela se deu por fatores externos. “Faz parte de uma narrativa que serviu para mentir ao processo brasileiro a ideia de que a crise é uma crise brasileira. É uma crise mundial, que começou em 2008. E nós conseguimos durante um largo período impedir que ela chegasse ao Brasil”, diz.

Outro tema do encontro foi a união da esquerda no primeiro turno para aumentar a chance de uma candidatura desse campo chegar ao Planalto. A pré-candidata até gosta da ideia. Disse que jamais seria “óbice” (empecilho). Entretanto, como não vê movimentações nesse sentido, confirmou que será candidata pela primeira vez, aos 36 anos. 

A convenção nacional do PC do B será no dia 1º de agosto. Comenta-se na imprensa que o PT tenta seduzi-la como vice na chapa. É agora ou nunca.

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