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Praia de Pipa recebe campanha de conscientização contra o Câncer de Mama

No sábado passado (20), mais de 200 pessoas fizeram o exame do toque no litoral sul do Rio Grande do Norte

Por Gideão Marques

Moradoras da Praia de Pipa aguardando atendimento. (Foto: Gideão Marques)
O Câncer de Mama é uma doença resultante da multiplicação de células anormais na  mama, que formam um tumor com potencial de invadir outros órgãos do corpo. De acordo com a Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), os motivos mais comuns que desencadeiam o Câncer de Mama são: histórico familiar, utilização de hormônios, a obesidade e o consumo de álcool.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Câncer de Mama ocupa a segunda posição do ranking das doenças que mais matam no mundo com 2,09 milhões de casos. Destes, 627 mil vieram a óbito em 2018, segundo estatísticas da OMS. Com isso, é preciso que se saibam os riscos e as causas da doença, sendo necessário que mais mulheres e homens cuidem da sua saúde para prevenir esse câncer.

Vice-prefeita de Tibau do Sul (primeira à esquerda), organizadora Cássia Andrade (segunda da direita para a esquerda) e voluntários. (Foto: Gideão Marques)
No sábado, dia 20 de outubro, foi realizada uma campanha de conscientização e prevenção da doença na Praia de Pipa, das 10h às 18h, contando com uma equipe de 25 voluntários, entre eles assistentes sociais, agentes de saúde, profissionais da limpeza, médicos e jornalista. O evento disponibilizou ainda atividades para a comunidade como terapia Reiki, quick massage e doação de cabelos. 

Realizada pela primeira vez em Pipa pela A&C Produções, a ação foi bem recebida pelos moradores e teve uma excelente aderência também dos turistas. Com apoio do governo municipal, da Preserve Pipa e da Drogaria Vidal, a campanha foi um sucesso.

Doação de Cabelos

Lucrécia da Silva cortando os cabelos de Raíssa Neves.
(Foto: Gideão Marques)
Lucrécia Paula da Silva, 30, empresária e cabeleireira, foi a responsável pela a arrecadação dos cabelos doados. As doações foram feitas no local do evento, mas quem se interessar em doar, pode procurar o Salão D’Luxe, em Pipa. Os cabelos são entregues ao Hospital do Câncer Varela Santiago, em Natal. Sabendo da importância do seu trabalho e da necessidade das mulheres em tratamento contra o câncer, Lucrécia alerta para o poder da doação: “Isso faz com que elas se sintam com a autoestima mais elevada, porque o câncer é uma doença muito triste e deixa a mulher muito abalada. Se sinta no lugar de alguém com câncer, perdendo o cabelo. A partir do momento que você se coloca no lugar do outro, você quer fazer esse gesto de doação”, diz a empresária.

Raíssa Neves doando os cabelos, juntamente com Lucrécia
da Silva, que os cortou. (Foto: Gideão Marques)
Raíssa Neves de Souza, 29, é a terapeuta holística que realizou o trabalho de quick massage na campanha e também doou os seus cabelos. Vaidosa e serena, ela acredita que poder tirar algo de si para dar a alguém é um exercício de desapego da imagem. “A gente está aqui para crescer todo mundo junto. Se eu puder fazer algo para que alguém se sinta bem, para mim, é um grande passo”, argumenta a terapeuta. “Eu estou dando esse pedacinho de mim com muito amor. Eu espero que a pessoa receba esse amor, não só a parte estética do cabelo, mas a parte desse amor de alguém que deseja que ela se recupere,” conclui, com lágrimas nos olhos.

Vencendo o Câncer de Mama

Dr. Rossano Araújo e Yone Mota dando
o seu depoimento. (Foto: Joel Gomes)
Após a realização dos exames de toque, o Dr. Rossano Araújo reuniu a sua equipe em uma palestra para sanar as possíveis dúvidas que ainda existissem sobre o tema. Para corroborar que a cura do Câncer de Mama é uma realidade, ele trouxe a carioca Yone Borba Mota, 57, comerciária aposentada que superou a doença. Em depoimento durante o evento, Yone disse que se alimentava de fast-foods e revelou que seu apelido na empresa que trabalhou por 33 anos era “pilha”, por ser muito estressada na época. De forma irresponsável, como ela mesma descreveu, realizava o autoexame esporadicamente até que encontrou um caroço do tamanho da metade de um caroço de azeitona. Incrédula, a princípio, pois não havia nenhum caso de câncer na família, ela procurou um médico e foi diagnosticada com carcinoma ductal infiltrante grau 3. Esse é o tipo de Câncer de Mama mais comum e, se diagnosticado no início, as chances de cura são significantes. Yone descobriu a doença em seu estágio inicial, foi curada e não precisou retirar a mama. “Eu tenho uma dívida de gratidão com os meus médicos. Eu não sei qual é a sua fé, mas eu agradeço a Deus, de todo o coração, pela vida deles”, concluiu Yone.

Câncer de Mama tem cura

Dr. Rossano Araújo realiza o exame do toque em paciente. (Foto: Gideão Marques)
De acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia e Oncologia, toda mulher deve fazer a primeira mamografia aos 35 anos de idade. Essa mamografia serve de base para ser comparada com a de outras mulheres nos anos seguintes, permitindo que os médicos verifiquem como está a saúde mamária das mulheres em cada geração. A partir dos 40 anos de idade, a mulher deve fazer o exame anualmente, sem folga, até que tenha condições e queira realizá-lo, porque servirá para saber se a mama está normal ou se teve alguma alteração. Teoricamente, a mamografia deveria ser feita até os 70 anos de idade, porém, o Dr. Rossano Araújo ressalta o fato de as mulheres terem uma longevidade grande hoje em dia, e que por isso, não devem se apegar a esse dado. É importante manter sempre o exame atualizado, mesmo ao passar da idade recomendada.

Matheus, estudante de Medicina, realiza o exame do toque em paciente. (Foto: Gideão Marques)
O doutor e sua equipe informam ainda que pessoas com casos de Câncer de Mama na família têm um risco maior de desenvolvê-lo, pois podem ter recebido esse gene. Além dessas, as pessoas que possuem a mutação gênica devem fazer uma mamografia com ultrassonografia em um semestre, e uma ressonância magnética no outro, para assegurar que o câncer não está sendo desenvolvido.

Débora Cavalcante após a realização do exame do toque. (Foto: Gideão Marques)
Contente após a realização do exame e a cnstatação de que não há nada de anormal em sua mama, a doméstica Débora Cavalcante, 40, está orgulhosa. Como em toda cidade pequena do interior, a moradora de Pipa ficou sabendo do evento pela divulgação dos moradores: o famoso “boca-a-boca”. “A gente precisa da saúde e precisa do exame. Às vezes a gente não tem dinheiro para fazer [o exame] e esse evento está dando para a gente”, relata Débora.


A Equipe Médica

Dr. Rossano Araújo palestrando e seus alunos. (Foto: Joel Gomes)
O Dr. Rossano Araújo, 50, é médico especialista em Oncologia Clínica pelo MD Anderson Cancer Center, em Houston (EUA), e especialista em Câncer de Mama pela Sociedade Brasileira de Mastologia. Ele participou do evento de forma voluntária e trouxe consigo uma equipe de quatro jovens estudantes de Medicina. Eles receberam mais de 200 pessoas que realizaram o exame do toque, e destas, apenas uma mostrou grau de possível desenvolvimento do Câncer de Mama. O doutor explicou que devido ao fato de as pessoas da Praia de Pipa viverem uma vida com menos estresse e terem acesso à natureza e a uma boa qualidade de vida, as chances de desenvolver a doença são atenuadas.

Sobre a ação, Dr. Rossano se mostra contente pelo trabalho realizado com a sua equipe e espera voltar nos próximos anos. “O Outubro Rosa, antes de prevenção, é uma ação de alerta. Então, eu acho que essa ação deve ser levada para toda a população, para que, havendo um diagnóstico precoce, a gente tenha o sucesso da cura do câncer”, explica.

Sobre sua iniciativa de trazer jovens estudantes da área para participarem do evento, ele diz que é uma oportunidade de vivenciarem a profissão em locais com situações adversas, onde eles podem desenvolver capacidades como a técnica e a cidadania. “Isso é muito importante para a formação profissional deles. É uma questão de cidadania. Para eles, acima de tudo, que estão começando o curso médico e que serão médicos no futuro, tem que se pensar o médico com alma, tendo uma situação cidadã para com a população”, argumenta o especialista. “O Câncer de mama tem cura! Eu me sinto muito honrado de estar aqui com a minha equipe, trazendo informação”, finaliza Dr. Rossano.

Lívia Gusmão, estudante de Medicina, respondendo perguntas do público presente. (Foto: Joel Gomes)
A jovem estudante do 5º período do curso de Medicina na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Lívia Gusmão, 21, foi uma das voluntárias trazidas por Dr. Rossano para vivenciar a experiência extracurricular. “Foi uma experiência incrível; enriquecedora. Temos muito a agradecer a todos os envolvidos,” disse. Ela alerta ainda para a importância da prevenção e dos cuidados com o corpo e com a saúde: “A mulher que luta pela sua saúde não deixa, de jeito nenhum, que a sociedade imponha algo para ela. A mulher forte cuida dela; cuida de si através do autoexame, para prevenir o Câncer de Mama”, conclui Lívia.


Com a palavra, a organização

Adriana Oliveira (à direita) e Cássia Andrade (à esquerda), organizadoras do evento. (Foto: Gideão Marques)
A turismóloga pernambucana Adriana Oliveira, 52, foi a responsável por todo o sucesso do evento, juntamente com a chefe de cozinha baiana Cássia Andrade, 47. Depois de um dia cansativo, porém produtivo, Adriana disse que não sabia que o evento seria tão bem acolhido por toda a comunidade de Pipa e se mostrou contente com o resultado e todas as coisas vividas durante o dia. “É muito amor poder ajudar o próximo. Quer coisa melhor?”, indaga Adriana. “Nós, da organização, agradecemos muito a todos vocês: a comunidade que abraçou a ideia, que foram amigos do peito. Espero que tenha sido proveitoso para todo mundo”, conclui satisfeita.

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