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Aguardente feita a partir do melão pode se tornar a mais nova bebida do barzinho

Um dos patrimônios culturais brasileiro, por definição e até decreto de lei, produto feito só no Brasil, a cachaça foi inspiração para a pesquisa na Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ), Campus da UFRN 

Por Anthony Matteus 

A aguardente é produzida na EAJ
em parceria com o Sebrae,
que cede o equipamento de destilação.
Foto: Arquivo pessoal
A cachaça é a segunda bebida alcoólica mais consumida do Brasil, atrás apenas da cerveja. A bebida de cana-de-açúcar é uma marca cultural brasileira. Mas engana-se quem pensa que aguardente só pode ser feita a partir da cana. Sabendo disso e com um desejo antigo em trabalhar com bebidas destiladas, o técnico do Laboratório de Processamento de Frutas e Hortaliças da Escola Agrícola de Jundiaí, Tiago Coelho, que é bacharel em agroindústria, resolveu produzir uma aguardente a partir do melão. 

Não é qualquer unidade da fruta utilizada no processo de produção, mas aquelas chamadas de refugo, que não atendem a um padrão específico de qualidade e não podem ser comercializadas. O Rio Grande do Norte é o maior produtor de melão no Brasil, das mais de 500 mil toneladas da fruta colhidas no estado, aproximadamente, dez por cento desse total é refugo. “É uma alternativa que busca utilizar um subproduto que até então não era aproveitado no campo. Uma aguardente agrega muito valor a um produto que era desperdiçado”, destaca Tiago sobre o uso da fruta. 

O processo de produção da bebida é semelhante ao da cachaça. O primeiro passo é a fermentação, prepara-se o mosto (um caldo do melão) e adicionado fungos do tipo levedura - eles são os responsáveis por consumir o açúcar do caldo e transformá-lo em álcool. Depois, o produto dessa mistura é levado ao alambique, equipamento que o destila, concentrando e por consequência aumentando o teor alcoólico da bebida. 

Um cuidado importante durante o processo é o descarte dos dez por cento iniciais e finais do caldo do melão já fermentado, também conhecido como cabeça e cauda, respectivamente. São partes que contém álcoois nocivos aos seres humanos, como explica o técnico de laboratório: “Uma preocupação com as aguardentes de frutas é que elas têm um carboidrato chamado pectina. A degradação dessa substância gera o metanol, prejudicial ao nosso organismo”. 

O alambique usado na pesquisa foi cedido pelo Sebrae. A parceria firmada entre o pesquisador e o órgão produziu uma amostra para a expofruit (Feira Internacional da Fruticultura Tropical Irrigada), que aconteceu no mês de agosto deste ano. A recepção do público no evento foi boa, o que aprovou a ideia. Um dos degustadores da aguardente de melão é o pizzaiolo Terciano da Silva. “É uma bebida que eu compraria. Não tem um aspecto forte, o cheiro é agradável e tem o gostinho do melão no fim”, conta. 

A garrafa da aguardente de melão: o design do rótulo também foi confeccionado por Tiago Coelho. Foto: Anthony Matteus/Caderno de Pauta

A operadora de telemarketing Tailande Coelho também aprova o destilado: “É bem suave e com o gosto docinho do melão. Eu recomendo”. 

A produção da aguardente de melão ainda não pode ser feita em grande escala, isso porque a pesquisa ainda está em fase de testes e de aperfeiçoamento da bebida. Essa etapa faz parte dos últimos passos para que o destilado se torne viável em termos de qualidade. Dos testes em andamento, está a busca por uma coloração amarelada do destilado, para dar um quê característico ao produto.

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