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Mês da consciência negra e o racismo estrutural no Brasil

Por Vanessa Islany 

Monumento em homenagem a Zumbi dos Palmares. Praça da Sé, Salvador/BA.

No Brasil, novembro é considerado o mês da consciência negra, em memória à morte de Zumbi dos Palmares. Zumbi foi um dos maiores líderes negros do Brasil que lutou para a libertação do seu povo e contra a escravidão. A importância da data está no reconhecimento dos nossos descendentes na construção da sociedade brasileira. Esse momento serve para fortalecer a reflexão acerca das bases de um racismo estrutural que estão presentes no nosso cotidiano. 

O racismo constitui em um mecanismo fundamental de poder utilizado, historicamente, para dividir e dominar classes, raças e etnias. A colonização e o genocídio foram ferramentas importantes para o seu desenvolvimento. A desqualificação dos oprimidos é recurso histórico, consciente e inconsciente, dos opressores para racionalizar e consolidar a exploração. Em um país que tem toda a sua história baseada em um sistema de estratificação social, racista e patriarcal, é inevitável que vejamos o reflexo disso no nosso presente. 

A abolição da escravatura brasileira foi um processo lento que passou por várias etapas antes sua concretização. Quando finalmente foi decretada, não se realizaram projetos de assistência ou leis para a facilitação da inclusão dos negros à sociedade, fazendo com que continuassem a ser tratados como inferiores e tendo traços de sua cultura e religião marginalizados, sendo um determinante na história de marginalização que se segue até os dias de hoje.

Ao longo da história, o incentivo às imigrações europeias, os projetos de branqueamento da população, a tomada do racismo como ideologia, a exclusão das populações negras do acesso à terra e o baixo nível de investimento em educação para essas pessoas foram fatores que continuaram produzindo e reproduzindo a marginalidade das populações negras no Brasil. 

Passados 130 anos da abolição, a população preta continua ocupando a base da pirâmide social no Brasil. Negros são a maioria da população brasileira (53,6%), segundo o IBGE. Também são a maioria entre os que têm menor renda. Estima-se que três em cada quatro pessoas entre os 10% mais pobre do país sejam pretas ou pardas. 

A violência também afeta essa parcela da população de maneira diferente. O Atlas da Violência 2017, lançado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou que, a cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. Outro dado que chama atenção: das 726.712 pessoas encarceradas no Brasil em 2017, mais da metade eram negros. A situação é ainda mais grave no Acre, onde 95% dos presos são negros. No Amapá, são 91% e, na Bahia, 89%.

O racismo, como fenômeno comportamental e social, procura afirmar que existem raças puras, e que estas são superiores às demais, assim busca justificar a hegemonia política, histórica e econômica. Nesse momento de avanço da intolerância, o racismo se escancara nos gritos de uma classe dominante. O discurso de extermínio ganha espaço, as políticas de higienização e branqueamento são defendidas sem hesitação. É necessário, cada vez mais, ter momentos de reflexão acerca desse nosso cenário e do que podemos fazer para que essa estrutura e o racismo institucionalizado seja disseminado no nosso país.

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